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O custo do subdesenvolvimento

O custo do subdesenvolvimento - Imagem: Reprodução / Freepik
O custo do subdesenvolvimento - Imagem: Reprodução / Freepik
Marcus Vinícius De Freitas

por Marcus Vinícius De Freitas

Publicado em 29/01/2025, às 10h06


A diferença entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos vai além de indicadores econômicos e sociais; reflete estruturas históricas, políticas e culturais profundamente enraizadas. Enquanto as nações desenvolvidas apresentam altos padrões de vida, instituições sólidas e economias diversificadas, as subdesenvolvidas lutam com pobreza, desigualdade, infraestrutura precária e instabilidade política. O Brasil, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, ainda carrega características de subdesenvolvimento que travam seu progresso.

Países desenvolvidos se destacam pela qualidade de vida elevada, resultado de uma economia moderna, infraestrutura avançada, educação de qualidade e sistemas políticos que promovem estabilidade e eficiência. Os países subdesenvolvidos são marcados pela dependência econômica de exportações primárias, altos índices de desigualdade social e sistemas políticos frágeis, muitas vezes permeados por corrupção e violência.

O Brasil, embora tenha se destacado como uma potência regional, apresenta sérios desafios que explicam sua condição de subdesenvolvimento. Desde sua colonização, o país foi estruturado para ser fornecedor de matérias-primas para as potências europeias, o que limitou a diversificação de sua economia e criou uma elite profundamente concentradora de renda. Essa estrutura desigual se perpetuou ao longo dos séculos, resultando em uma sociedade em que milhões de pessoas ainda carecem de acesso a serviços básicos como saúde, educação e saneamento.

Além disso, a corrupção crônica e a burocracia excessiva comprometem a governança e a eficiência estatal. Recursos que poderiam ser destinados a melhorar a qualidade de vida da população frequentemente são desperdiçados em esquemas ilícitos ou na má gestão pública. A educação, pilar fundamental para o desenvolvimento, também é um dos pontos mais críticos. Apesar de avanços em acesso à escolaridade, a qualidade do ensino no Brasil é baixa, o que dificulta a formação de uma mão de obra qualificada e competitiva no cenário global.

Outro aspecto crucial que exemplifica o subdesenvolvimento do Brasil é a segurança pública – ou a falta dela. A insegurança nas cidades brasileiras é uma das questões mais graves enfrentadas pelo país. A violência urbana, alimentada pelo narcotráfico, pela proliferação de armas ilegais e pela ausência de políticas públicas efetivas, cria um ambiente de medo constante para milhões de cidadãos. Essa violência é muitas vezes acompanhada por uma atitude de desprezo pela vida humana por parte das autoridades. As vítimas da violência urbana frequentemente são vistas como números em estatísticas, em vez de pessoas cuja proteção deveria ser prioridade. O Estado brasileiro, ao falhar em garantir o primeiro compromisso com o cidadão – a segurança coletiva –, agrava o ciclo de instabilidade social e econômica.

Bairros inteiros vivem sob o domínio do narcotráfico ou de milícias, que exercem controle paralelo às instituições do Estado. Isso não apenas compromete a vida das pessoas, mas também mina a confiança nas instituições públicas, visto que a corrupção policial e a ineficiência do sistema judicial impedem avanços significativos na luta contra o crime organizado.

Em contraste, a China impressiona pelo nível de segurança oferecido a seus cidadãos. O controle rigoroso sobre a criminalidade, aliado a um sistema estatal que prioriza a ordem pública, resulta em cidades onde a sensação de segurança é palpável. O narcotráfico, por exemplo, é combatido com políticas de tolerância zero, e as penas severas servem como elemento dissuasivo. Além disso, o uso extensivo de tecnologia, como sistemas de monitoramento por câmeras e inteligência artificial, garante um ambiente urbano em que os índices de violência são muito baixos, mesmo em cidades com populações massivas.

Essa segurança não apenas melhora a qualidade de vida da população, mas também atrai investidores e turistas, que se sentem confiantes ao visitar ou fazer negócios no país. É importante notar que o nível de segurança na China é difícil de ser igualado até mesmo por muitos países ocidentais desenvolvidos. Essa sensação de proteção reflete o compromisso do governo chinês com o bem-estar coletivo e contrasta fortemente com a situação caótica de muitas cidades brasileiras.

Outro ponto de destaque no modelo chinês é o rígido controle da corrupção. Desde o início do mandato de Xi Jinping, em 2012, a China lançou uma campanha massiva de combate à corrupção, punindo severamente funcionários públicos e executivos de grandes empresas estatais envolvidos em práticas ilícitas. O Estado chinês demonstrou que a tolerância zero com corrupção é essencial para restaurar a confiança pública e promover a eficiência administrativa.

Um exemplo significativo dessa abordagem está no controle sobre os funcionários públicos. Na China, servidores estatais têm uso restrito de seus passaportes, sendo necessário obter autorização para sair do país. Essa medida visa prevenir casos de fuga de autoridades acusadas de corrupção e assegurar que essas figuras permaneçam sob a jurisdição nacional.

Enquanto o contexto político da China e do Brasil é muito diferente, há lições valiosas que podem ser adaptadas. O combate ao narcotráfico e à violência no Brasil exige não apenas repressão, mas também um compromisso sério com a reforma das polícias, o fortalecimento das instituições judiciais e a implementação de políticas sociais que reduzam a desigualdade – uma das principais raízes da violência.

Superar o subdesenvolvimento brasileiro exige um esforço coordenado para oferecer aos cidadãos uma qualidade de vida digna, que começa com segurança nas ruas e espaços públicos bem geridos. Melhorar os espaços urbanos, combater a corrupção, investir em educação e reduzir desigualdades são passos indispensáveis. Ao mesmo tempo, é necessário promover políticas que incentivem a inovação, atraiam investimentos e priorizem a infraestrutura.

Vencer o subdesenvolvimento, principalmente o intelectual, é essencial.


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