Texto foi deixado após empate com a Bélgica em um torneio marcado por restrições de acesso e tensões internacionais

Lívia Gennari Publicado em 23/06/2026, às 16h30
A seleção de futebol do Irã deixou um gesto simbólico após sua participação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. Uma carta escrita à mão foi encontrada no vestiário do estádio de Los Angeles, nos Estados Unidos, depois do empate por 0 a 0 contra a Bélgica. No texto, a equipe agradeceu à cidade pela recepção e fez um apelo pela paz e pelo respeito entre os países.
Escrita em inglês, a mensagem foi localizada após a saída da delegação iraniana do estádio. No documento, a seleção relembrou as raízes históricas do país e afirmou ter deixado os Estados Unidos com orgulho e dignidade.
Da Pérsia antiga de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e inabalável. Viemos para Los Angeles com orgulho, competimos com honra e partimos com dignidade”, dizia um trecho da carta.
O grupo também agradeceu aos torcedores iranianos que acompanharam a equipe durante a passagem pela Califórnia e destacaram a importância do apoio recebido durante a competição.
"Obrigado a todos os iranianos que deram seu coração, sua voz e sua alma ao Irã durante estes 180 minutos”, escreveu a seleção.
A mensagem terminou com um pedido que ganhou destaque após a divulgação:
Que a paz, o respeito e a amizade prevaleçam entre todas as nações”.
Desafios fora de campo
O gesto ocorreu em meio às dificuldades enfrentadas pela delegação iraniana durante o torneio. Por causa das restrições para permanência em território norte-americano, a equipe precisou retornar a Tijuana, no México, após cada partida realizada nos Estados Unidos.
Inicialmente, o Irã tinha previsão de ficar hospedado no Arizona, mas a mudança de planejamento levou a delegação para a cidade mexicana antes do início da competição. Apesar disso, todos os jogos da primeira fase foram disputados em solo americano.
A situação também envolveu dúvidas sobre a liberação dos vistos de entrada nos Estados Unidos. Dias antes do início da Copa, autoridades americanas confirmaram a emissão dos documentos para jogadores e membros da comissão técnica.
Em uma edição marcada por tensões políticas e desafios logísticos, a carta deixada no vestiário se tornou um dos momentos simbólicos da participação iraniana no Mundial.

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