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A estratégia equivocada de Biden em Taiwan

A estratégia equivocada de Biden em Taiwan - Imagem: Reprodução | Portal politica-china.org
A estratégia equivocada de Biden em Taiwan - Imagem: Reprodução | Portal politica-china.org
Marcus Vinícius De Freitas

por Marcus Vinícius De Freitas

Publicado em 08/01/2025, às 07h53


O governo Joe Biden poderia ter entrado para a história como uma administração moderada, trazendo estabilidade e equilíbrio após os anos tumultuados do primeiro mandato de Donald Trump. No entanto, a atuação inconsistente do presidente democrata levou o mundo a uma situação de instabilidade crescente, com desdobramentos que comprometem a segurança global e as relações multilaterais.

Na Europa, a guerra na Ucrânia resultou no empobrecimento do continente, enquanto os países da OTAN enfrentam a necessidade de aumentar gastos militares em um momento de recuperação econômica lenta e desigual. O Oriente Médio, já marcado por instabilidade crônica, enfrenta desorganização adicional devido à falta de estratégias coordenadas por parte dos Estados Unidos e seus aliados.

Além disso, numa postura provocativa que parece visar o aumento da instabilidade na Ásia, os Estados Unidos intensificaram sua assistência militar a Taiwan nos últimos meses. Isso incluiu a ampliação da venda de armas e o estímulo a encontros oficiais com líderes taiwaneses, como a recente visita de Lai Ching-te ao território norte-americano. Essas ações representam não apenas uma escalada de tensões com a China, mas também uma ruptura com compromissos diplomáticos assumidos anteriormente.

Taiwan tem sido historicamente utilizada pelos Estados Unidos como uma “carta estratégica” em sua relação com a China. Quando os laços bilaterais entre Washington e Beijing estão estáveis, a questão de Taiwan é relegada a um papel secundário. No entanto, à medida que as tensões aumentam, a ilha se transforma em um instrumento de barganha geopolítica.

A venda de armas para Taiwan e o aumento da assistência militar violam diretamente o “Comunicado Conjunto Estados Unidos-China de 17 de agosto de 1982”, no qual Washington comprometeu-se a reduzir gradativamente suas vendas de armamentos para a ilha. Essa contínua violação não apenas evidencia a incapacidade norte-americana de cumprir suas promessas diplomáticas, mas também prejudica sua já deteriorada credibilidade internacional.

A questão de Taiwan não é apenas uma disputa territorial. Ela carrega implicações econômicas, tecnológicas e militares de longo alcance. A ilha é essencial para a produção global de semicondutores e outras tecnologias críticas. Qualquer conflito na região poderia resultar em uma grave disrupção econômica global, afetando cadeias de suprimento e gerando consequências desastrosas para aliados e adversários dos Estados Unidos.

A estratégia de contenção adotada pelos Estados Unidos remonta a táticas da Guerra Fria, mas já se provou obsoleta em um mundo interconectado. Diferentemente do período bipolar do século XX, o crescimento da China está profundamente integrado às estruturas econômicas globais. Frear a ascensão chinesa, na prática, significa comprometer o progresso global, desglobalizar mercados e limitar oportunidades de crescimento econômico global.

O governo Biden, ao adotar medidas inflamatórias quanto a Taiwan, reforça uma posição hegemônica que não apenas é insustentável, mas também contraproducente. Em vez de promover estabilidade, as políticas adotadas alimentam tensões regionais, exacerbam divisões políticas e comprometem a cooperação internacional necessária para enfrentar desafios globais como mudança climática, pandemias e segurança alimentar.

A combalida União Europeia poderia desempenhar um papel mais ativo na mediação entre Washington e Beijing. Bruxelas deveria incentivar os Estados Unidos a fortalecerem o diálogo com a China, promovendo a paz e a prosperidade no Estreito de Taiwan. As potências emergentes também poderiam influenciar na busca de maior equilíbrio global. Países como Índia, Brasil e África do Sul podem e devem se posicionar como defensores de uma ordem multipolar baseada no respeito mútuo e na coexistência pacífica. A ascensão desses países ao protagonismo internacional oferece a oportunidade de fortalecer um sistema multilateral que valorize o diálogo e rejeite abordagens confrontacionais. Taiwan deveria constituir um exemplo de resolução de disputas sensíveis por meio de negociação e pragmatismo.

O aumento das tensões em Taiwan também levanta preocupações econômicas de alta relevância para o mundo interconectado. Um conflito no Estreito de Taiwan impactaria severamente o comércio global, especialmente devido à dependência mundial dos semicondutores produzidos na ilha, além de afetar as cadeias de suprimento dependentes da Ásia. Para países em desenvolvimento, que já enfrentam desafios estruturais significativos, as consequências de uma desaceleração econômica global seriam devastadoras.

A crise em Taiwan pode servir como catalisador para um novo paradigma de relações internacionais. Em vez de perpetuar rivalidades, a situação oferece a oportunidade para construir um modelo de cooperação regional que beneficie todas as partes. Instituições como a ASEAN e fóruns como o G20 podem oferecer uma plataforma sustentável de diálogo mais inclusivo.

Os erros da Guerra Fria não devem ser repetidos. As políticas de contenção que alimentaram décadas de instabilidade e atraso não oferecem soluções para os desafios do século XXI. Pelo contrário, elas atrasam o progresso em um momento em que a cooperação e o diálogo são mais necessários do que nunca.

A estratégia norte-americana de usar Taiwan como uma ferramenta de contenção à China é um erro estratégico com impactos negativos globais. Ao priorizar a competição em detrimento da cooperação, Washington não apenas prejudica as relações bilaterais, mas também coloca em risco a estabilidade política e econômica do planeta.

Taiwan deve ser tratada com a cautela e o respeito que sua posição geopolítica exige. Em vez de instrumentalizar a ilha como uma peça de confronto, os Estados Unidos deveriam adotar uma abordagem pragmática, buscando a coexistência pacífica com a China: Taiwan é uma província da China.


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