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Qualquer música pode falar de Cristo?

Entenda as diferentes correntes sobre a apreciação musical entre os cristãos e suas justificativas. - Imagem: Reprodução | Freepik
Entenda as diferentes correntes sobre a apreciação musical entre os cristãos e suas justificativas. - Imagem: Reprodução | Freepik
Marcelo Emerson

por Marcelo Emerson

Publicado em 20/03/2025, às 06h05


Todos os cristãos, em algum momento de suas vidas, já refletiram ou refletirão sobre a sua relação com a porção do mundo que não professa a sua fé. Um dos temas mais suscitam debates calorosos diz respeito à música.

A questão que vem à tona é a seguinte: o cristão pode ou não apreciar música que não seja considerada sagrada? E se a resposta for positiva, em que medida ele pode se relacionar com a música que não é sacra?

Ao longo dos séculos, pensadores da Igreja Católica se debruçaram sobre tal questão e, resumindo bem superficialmente, é possível identificar duas correntes: a posição de quem defende que o cristão deve se relacionar apenas com “música de Igreja propriamente dita” e, do outro lado, o entendimento de que a música pode ter um fim utilitário, de modo que é possível existir música que não seja sacra, mas que se preste a, de alguma forma, despertar a atenção do ouvinte para as coisas sagradas.

Há os puristas, que defendem que os cristãos apenas devem acessar a música que hoje se denomina popularmente de “música gospel”. Em contraponto a isso, há quem defenda que o fator fundamental se situa na letra, de modo que, havendo letra de apologia daquilo que é sagrado ou que seja edificante em termos de valores religiosos, a música será válida, independente dos elementos musicais (ritmo, intensidade, melodia, harmonia etc.).

Quando prestamos atenção na música pesada (rock n’ roll, heavy emtal e seus sub-gêneros), o debate se torna mais acirrado. A música pesada tem elementos que a tornam mais rápida, distorcida e agressiva do que as músicas populares em geral. É possível admitir que letras cristãs sejam veiculadas por música pesada?

Há casos em que o músico é convertido ao cristianismo e continua tocando em bandas seculares. É o caso de Pete Sandoval.

Pete eternizou suas levadas de bateria nos álbuns clássicos banda de death metal, Morbid Angel (além das obras seminais no Terrorizer). Devido a sérios problemas na coluna, Pete Sandoval teve que se afastar das atividades da banda. Nesta mesma época (meados de 2012), ele se converteu ao cristianismo (a mãe e a irmã de Pete já eram cristãs há aproximadamente 20 anos e conversavam muito com ele sobre Cristo).

Desde então, Pete Sandoval vem reafirmando sua condição de cristão dentro do cenário do death metal, pois hoje ele faz parte da banda I am Morbid, ao lado do baixista e vocalista David Vincent (ex-Morbid Angel) e dos guitarristas Bill Hudson (Doro e NorthTale) e Richie Brown.

Recentemente, conversei com Bill Hudson e o guitarrista me garantiu: "Sim, o Pete continua totalmente cristão".

Pete Sandoval deu entrevista em 7/3/15 para Andrew Haug, quando disse: "Quero dizer às pessoas que Deus pode realmente mudar nossas vidas e que ele pode nos mostrar seu caminho de vida em abundância, seu caminho de vitória. 

Porque estou no caminho da vitória agora. 

Sinto que a maneira como estou tocando agora, a maneira como meu corpo se sente, Deus me ajudou imensamente, que me sinto como se estivesse na casa dos 20 e 30 anos, tanto fisicamente, tocando o que estou tocando, a maneira como toco. Quero dizer às pessoas que Deus pode nos fazer ser o melhor no que queremos fazer. 

Definitivamente.

 Deus é positivo. Deus é poder. Poder. E Deus é vida em abundância. E Deus pode nos mostrar como viver da maneira que ele pretendeu que vivêssemos."

Mas há o caso de bandas que tocam música pesada com letras estritamente cristãs. Hoje há diversas bandas que fazem isso, mas no início dos anos 90 era algo muito inovador.

Um dos maiores ícones dessa inovação foi Steve Rowe, vocalista, baixista e fundador da banda Mortification.

O músico australiano sofreu com resistências de todos os lados, de fãs da música pesada e de membros de igrejas. Rowe declarou o seguinte: “Acredito que Deus nos usou para alcançar o submundo mais obscuro da obra do diabo no metal extremo. Infelizmente, muitas pessoas não conseguem entender isso”.

É difícil imaginar que Deus prefira um estilo musical a outro. O mais provável é que Ele, conhecendo nosso coração, valorize aquilo que está no mais profundo da alma. Como disse C.S. Lewis: “Pois todas as ofertas, sejam de música ou de martírio são como o presente intrinsecamente sem valor de uma criança, ao qual o pai de fato valoriza, mas o valoriza apenas pela intenção”.


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