Diário de São Paulo
Siga-nos

MP denuncia Deolane à Justiça por suposta ligação com esquema de lavagem de dinheiro do PCC

Influenciadora está presa preventivamente em Tupi Paulista; Ministério Público também se manifestou contra pedido de transferência e prisão domiciliar

Operação Vérnix teve a influenciadora como um dos alvos - Imagem: Reprodução
Operação Vérnix teve a influenciadora como um dos alvos - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 10/06/2026, às 18h00


A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra foi denunciada à Justiça pelo Ministério Público de São Paulo nesta quarta-feira (10), no âmbito de uma investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente.

O documento foi assinado pelo promotor Lincoln Gakiya, considerado uma das principais referências no combate ao crime organizado no país, além de outros seis integrantes do Ministério Público. A ação também inclui o líder da facção, Marco Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e outros investigados apontados como integrantes do esquema.

Segundo as investigações, uma empresa do setor de transportes teria sido utilizada para movimentar e ocultar recursos obtidos ilegalmente. De acordo com o Ministério Público, familiares e pessoas ligadas à cúpula do PCC recebiam orientações para administrar e distribuir os valores, que posteriormente seriam direcionados a diferentes beneficiários, entre eles Deolane Bezerra, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola.

Os promotores afirmam que relatórios de inteligência financeira, além de análises fiscais e bancárias, apontaram mecanismos destinados a ocultar a origem dos recursos e reinseri-los na economia formal com aparência de legalidade. A denúncia sustenta que o grupo utilizava empresas e estruturas patrimoniais para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.

Transferência negada

Presa preventivamente desde 21 de maio no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista, Deolane também teve negado o pedido de transferência apresentado por sua defesa. Os advogados argumentaram que a unidade prisional não oferece condições compatíveis com uma Sala de Estado-Maior, direito assegurado a advogados em determinadas situações.

Entre os problemas apontados pela defesa estão falta de ventilação adequada, calor excessivo, alimentação considerada inadequada, restrições a itens de higiene pessoal, excesso de ruído e limitações no contato direto com os advogados. Com base nessas alegações, foi solicitado o encaminhamento da influenciadora para uma Sala de Estado-Maior ou, alternativamente, a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar.

O Ministério Público, no entanto, entendeu que a unidade prisional possui condições para manter a custódia da investigada. Os promotores também argumentaram que o fato de Deolane ter uma filha menor de 12 anos não é suficiente, por si só, para justificar a concessão da prisão domiciliar, especialmente diante da gravidade dos fatos investigados e da suposta participação em organização criminosa.

Entenda a investigação

A prisão ocorreu durante a Operação Vérnix, deflagrada em maio pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. A investigação teve início em 2019, após apurações realizadas na Penitenciária II de Presidente Venceslau identificarem indícios de um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC.

Conforme os investigadores, Deolane mantinha relações pessoais e comerciais com pessoas ligadas à transportadora sob investigação. As autoridades apontam que a influenciadora passou a ocupar posição central nas apurações em razão de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o patrimônio declarado e de possíveis conexões com integrantes do núcleo de comando da facção.

Para os responsáveis pela investigação, a notoriedade pública da influenciadora, aliada às atividades empresariais e ao patrimônio acumulado, teria sido utilizada para conferir aparência de legalidade aos recursos movimentados. As apurações seguem em andamento e o caso será analisado pela Justiça.


últimas notícias