
por Kleber Carrilho
Publicado em 17/02/2024, às 08h55
A segurança pública no Brasil enfrenta um impasse. De um lado, temos a abordagem de "caça aos bandidos", apoiada por setores da direita, que prioriza a repressão violenta. Do outro, uma certa leniência, frequentemente criticada por minimizar as consequências para os criminosos e demonizar as forças policiais. Esta disputa ignora a demanda da maioria da população, que deseja viver tranquilamente.
As abordagens extremas são insuficientes para oferecer soluções duradouras. A repressão indiscriminada pode resultar em violações de direitos e aumentar as tensões sociais, enquanto a leniência pode reforçar a sensação de impunidade. Por isso, é essencial buscar um equilíbrio que garanta a ordem pública sem negligenciar a justiça social e os direitos humanos.
Em vez de optar por soluções aparentemente simples, que podem gerar consequências desastrosas, como em El Salvador (frequentemente elogiado por apoiadores de Bolsonaro), é fundamental investir em educação e, no curto prazo, em oportunidades econômicas, juntamente com o fortalecimento das instituições de segurança. Isso envolve punir de verdade a corrupção policial e investir em inteligência, mais do que em ações ostensivas.
A tecnologia e a inovação são essenciais para modernizar as estratégias de segurança. O uso de sistemas avançados de monitoramento e análise de dados pode ajudar na prevenção de crimes e na resposta rápida, assegurando uma ação mais precisa e menos violenta. A capacitação e a valorização dos profissionais de segurança, focando em práticas humanizadas e eficientes, são fundamentais.
Por isso, repito aqui a urgência de desenvolver uma nova perspectiva sobre a segurança pública no Brasil, que vá além da polarização atual, que é improdutiva. Uma abordagem que equilibre a necessidade de segurança com a promoção de uma sociedade mais justa é importante para atender às expectativas da maioria dos brasileiros.
Discuta com a liderança local, com o seu deputado, o seu vereador, o prefeito, o delegado, e todo omundo que puder fazer parte disso. Afinal, é um desafio enorme mudar essa realidade, especialmente porque os grupos criminosos estão cada vez mais infiltrados no Estado.
Por isso, adiar decisões apenas agrava a percepção e a realidade da segurança pública. Se o governo de Lula (e o novo ministro Lewandowski) não tomar medidas claras, as respostas repressivas se intensificarão, afetando principalmente as comunidades nas periferias, que só experienciam a presença do Estado através da violência.
Não adianta só criticar o Vai-Vai, que apresentou polícias demonizados no carnaval. É essencial discutir o que realmente importa.
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