Por Kleber Carrilho

Redação Publicado em 11/12/2021, às 00h00 - Atualizado às 10h34
Por Kleber Carrilho
Nos últimos dias, a imagem da primeira-dama falando uma língua estranha na comemoração da aprovação do “terrivelmente evangélico” ministro do STF André Mendonça fez sucesso nas redes. Para alguns, era o sinal mais claro de que o nosso Estado deixou de ser laico. Porém, antes de apontar para Michelle Bolsonaro, que tal perguntar se já estivemos perto de um Estado laico. E mais: quem quer um Estado laico? Eu tenho certeza de que quero, mas quem mais?
Afinal, uma coisa é clara. Estado laico é um mito ou, para ser weberiano, um tipo ideal. É uma construção racional, para análise científica, sem referência exata na realidade. Isso porque a organização da sociedade tem origem em algo que é uma mistura entre política e religião, que, durante milênios, caminharam juntas.
Foi somente há pouco mais de três séculos que a ideia de Estado Moderno, racionalmente construído, sem as máculas das paixões da religião, foi concebida. E então, em nome do mito da laicidade, muitos mataram e morreram, mais ou menos como os Cruzados e os Templários. Quem não se lembra do derramamento de sangue da Revolução Francesa? E da tomada das igrejas católicas com a instituição do Templo da Razão na Notre-Dame de Paris?
E, por ser um defensor do Estado laico, preciso entender que ele deve ser pensado com a exclusão de qualquer aspecto religioso da gestão política, e não somente daqueles símbolos dos quais não gosto.
No entanto, vale lembrar que o nosso fazer político se desenvolveu completamente ligado à religião, principalmente à Igreja Católica. Ela está na chegada dos portugueses com uma missa como evento fundador, na origem das nossas principais cidades, na atual Constituição que fala de Deus, na Catedral de Brasília em plena Esplanada dos Ministérios.
A religião também está presente na formação de vários partidos políticos, das Comunidades Eclesiais de Base católicas que fizeram (ou ainda fazem) parte da militância do PT até a relação entre a Igreja Universal e os Republicanos.
Além disso, claro, a religião está no nosso dinheiro: “Deus seja Louvado”. Inclusive, está naquelas cédulas que foram sacadas na boca do caixa por Fabrício Queiroz.
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