A decisão de incinerar contraceptivos levanta questões sobre o desperdício de recursos públicos e a saúde das mulheres

Gabriela Thier Publicado em 25/07/2025, às 15h30
A administração dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, tomou a polêmica decisão de destruir produtos contraceptivos femininos no valor de US$9,7 milhões, que estavam destinados a mulheres e jovens em diversas partes do mundo. A medida foi severamente criticada pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), que qualificou essa ação como um "ato irresponsável".
Após o desmantelamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), o governo anunciou sua intenção de incinerar milhões de itens contraceptivos adquiridos por meio da agência, que foi oficialmente encerrada no início deste mês. Os produtos, que incluem implantes, pílulas orais e dispositivos intrauterinos (DIUs), estão atualmente armazenados na cidade de Geel, na província belga de Antuérpia, aguardando envio para a França, onde serão destruídos, conforme revelou o jornal britânico The Guardian.
A MSF expressou sua indignação com a decisão do governo americano, ressaltando que ela compromete a saúde e a vida de muitas mulheres, ao mesmo tempo que representa um desperdício significativo dos recursos financeiros públicos destinados ao planejamento familiar e à saúde reprodutiva.
"O governo dos EUA criou este problema. Destruir suprimentos médicos valiosos que já foram financiados pelos contribuintes não ajuda em nada a combater o desperdício ou melhorar a eficiência. Esta administração prefere incinerar contraceptivos e permitir que alimentos se estraguem, colocando em risco vidas humanas em nome de uma agenda política", declarou Avril Benoît, CEO da MSF-EUA.
A porta-voz da organização enfatizou que não há justificativa plausível para a destruição desses produtos, especialmente considerando que eles poderiam ser utilizados por profissionais de saúde em regiões afetadas por conflitos e carências de suprimentos devido à suspensão do financiamento por parte dos Estados Unidos.
Além disso, a MSF criticou também os gastos superiores a US$167 mil para realizar a destruição dos contraceptivos e denunciou a recusa do governo americano em aceitar propostas de organizações dispostas a arcar com os custos de envio e distribuição dos insumos. Ofertas feitas pela MSI Reproductive Choices e pela UNFPA, agência das Nações Unidas dedicada à saúde sexual e reprodutiva, foram ignoradas pela administração Trump.
De acordo com informações da Reuters, desde o retorno de Donald Trump ao cargo presidencial, os Estados Unidos têm adotado uma postura mais rigorosa contra o aborto por meio da política conhecida como "Mexican City Policy", que limita o financiamento de organizações estrangeiras envolvidas em serviços relacionados ao acesso ao aborto.
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