
por Reinaldo Polito
Publicado em 09/02/2025, às 08h18
Embora Trump não tenha falado em vingança, algumas de suas atitudes demonstram esse gostinho de vendeta. Jamais aceitou o resultado das eleições em que foi derrotado por Biden e sofreu todo tipo de pressão para sucumbir. Manteve-se irredutível em sua intenção de recuperar o posto de presidente — e conseguiu.
Trump revive ‘O Aprendiz’
Na última sexta-feira, 7, “deu o troco” em Joe Biden: revogou a autorização do ex-presidente para receber informações confidenciais. “Não há necessidade de que Joe Biden continue tendo acesso à informação classificada”, afirmou.
Em seguida, Trump sendo Trump, ironizou: “Revogaremos de imediato as autorizações de segurança de Joe Biden e vamos interromper seus relatórios de inteligência diários”. E sem perder a oportunidade de espezinhar, completou: "JOE, VOCÊ ESTÁ DESPEDIDO".
Biden havia feito o mesmo com Trump após as eleições de 2020, justificando a decisão pelo comportamento errático do republicano antes e depois da invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. Dá para imaginar o quanto Trump deve ter aguardado por esse momento.
Parecia continuar no palanque
Ainda antes de concluírem a apuração dos votos que lhe dariam a vitória, seu discurso já deixava claro que pretendia desmontar os feitos dos democratas com os quais não concordava: “Vamos consertar tudo o que está errado neste país. Vamos ajudá-lo a se curar. Ele precisa de ajuda, e precisa dela com muita urgência”.
Poderia parecer um discurso de campanha, mas não era. Havia vencido as eleições e já partia para a ação. Era apenas um aviso do que poderiam esperar do seu governo nos primeiros dias — e tem cumprido a promessa.
Tratando adversários como adversários
Quem vê Trump deitando e rolando com suas decisões contundentes, mandando jornalistas baixarem o tom de voz e chamando-os de burros ou imbecis, especialmente aqueles que agiram como desafetos nesse período de verdadeiro calvário para ele, nem sempre tem noção do que precisou enfrentar para chegar onde está.
No dia 9 de fevereiro, como hoje, em 2021, ele vivia um de seus piores momentos. Enfrentava o segundo julgamento de impeachment, e seus opositores estavam com a faca nos dentes. Queriam bani-lo da política americana. Por muito pouco não conseguiram.
Faltou pouco para ser impichado
Na votação final no Senado, o placar foi de 57 a 43 pela condenação, dez votos a menos do que o necessário para atingir a maioria de dois terços exigida pela Constituição. Trump ainda teve de enfrentar fogo amigo: sete senadores republicanos votaram com os democratas e independentes para impedi-lo.
Foi um caso inédito: tornou-se o primeiro presidente dos Estados Unidos e o único funcionário federal a sofrer processo de impeachment duas vezes. E mais: como já havia deixado o cargo antes do julgamento, foi também o primeiro ex-presidente a passar por esse processo.
Hoje tem muito apoio
Mas os ventos mudaram – quem diria! Hoje, com maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, além de um Judiciário conservador, Trump tem poder para cumprir muitas de suas promessas.
Uma das decisões que mais repercutiram foi a proibição da participação de mulheres trans em esportes femininos. Ciente de que financiamento é essencial para sustentar qualquer causa, cortou subsídios governamentais das escolas que permitirem estudantes trans em equipes femininas: “Não haverá financiamento federal”.
Mexendo em vespeiro sem medo
Outra iniciativa que pode abalar a esquerda americana e em vários países é a intenção de extinguir a USAID (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional). Como esperado, a resistência foi imediata. Dois grupos que representam os funcionários da agência já processaram o governo, alegando que a medida prejudicaria o trabalho humanitário prestado há décadas.
Se essas ações tivessem sido propostas no primeiro mandato, dificilmente teriam avançado. Mas, agora, o cenário é outro. Trump poderá encontrar resistência, mas tem força para superá-la.
Pois é… daquele 9 de fevereiro de 2021, quando vivia um verdadeiro inferno astral, até hoje, muita coisa mudou. Trump está de volta e, desta vez, atropelando quem ousa impedi-lo.
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