O cantor e compositor recebeu a honraria na última segunda-feira (24), quatro anos depois de ser contemplado

Nathalia Jesus Publicado em 25/04/2023, às 10h35
O poeta, cantor, compositor e escritor Chico Buarque, de 78 anos, recebeu na última segunda-feira (24) o Prêmio Camões, o mais importante da literatura de língua portuguesa, em uma cerimônia que reuniu o presidente de portugês e Lula em Sintra, em Portugal.
Chico ganhou o prêmio em 2019, quando estava em vigor o mandato de presidente de Jair Bolsonaro (PL), que se recusou a assinar a documentação necessária para que o escritor pudesse receber a honraria.
"Conforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu prêmio Camões, deixando espaço para a assinatura do nosso presidente Lula", disse Buarque em seu discurso.
"Recebo esse prêmio menos como honraria pessoal e mais como desagravo a tantos autores e artistas humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo."
Em sua fala, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal, comparou o ícone da MPB à Bob Dylan, que chegou a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura em 2016. Segundo ele, Dylan é celebrado, mas sua obra é principalmente musical. No caso de Chico Buarque, além da música, ele tem obras aclamadas na literatura e no teatro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também discursou na cerimônia. "Hoje, para mim, é uma satisfação corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura brasileira nos últimos tempos. Digo isso porque esse prêmio deveria ter sido entregue em 2019 e não foi. Todos nós sabemos por quê", afirmou.
Chico lançou seu primeiro livro de ficção, "Fazenda Modelo", em 1974. Três anos mais tarde, publicou o livro infantil "Chapeuzinho Amarelo". O primeiro romance, "Estorvo", foi lançado em 1991. Ele também escreveu "Benjamin", em 1995. Nos anos 2000, o artista lançou "Budapeste" (2003) e "Leite derramado" (2009). Seu último romance foi "Irmão Alemão", de 2014.
Para o teatro, Chico escreveu as peças "Roda Viva" (1968); "Calabar" (1972); "Gota D’Água" (1974), e "Ópera do Malandro" (1978), segundo levantamento do g1.
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