A retirada do livro dos principais marketplaces ocorreu após episódio nazista na biblioteca Mário de Andrade

João Perossi Publicado em 08/08/2022, às 10h55
O livro "Minha Luta", principal obra do pensamento nazista, foi retirado das estantes vituais dos principais marketplaces do Brasil nessa semana. O livro, escrito por Adolf Hitler, líder máximo da Alemanha Nazista, foi alvo de discussões após um nazista fazer insultos raciais enquanto lia a obra na Biblioteca Mário de Andrade.
Além de Amazon, Estante Virtual, Submarino, Americanas e outros marketplaces, "Mein Kampf" foi retirado também dos resultados de pesquisa do Google. Agora, na aba 'Shopping' do veículo de busca são mostrados livros relacionados ao texto de Hitler, mas não o exemplar em si.
Após a prisão de Wilho da Silva Brito, acusado de fazer apologia ao nazismo e declarações nazistas em uma biblioteca, os sites de venda de livros foram questionados sobre a reprecussão que a leitura da obra gera.
Embora só exista lei proibindo sua circulação no estado do Rio de Janeiro, os sites fizeram declarações unânimes sobre a possibilidade da venda do livro sem fins acadêmicos encorajar a difusão da ideologia nazista.
Para Ricardo Berkiensztat, presidente executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo, a ação das empresas representa um passo importante para a preservação da memória do holocausto e para a não banalização das atrocidades cometidas pelo Terceiro Reich:
"Saudamos a decisão de vários dos principais marketplaces de interromperem a venda do livro 'Minha Luta', de Adolf Hitler. Esta é uma obra que incita o ódio e foi a cartilha utilizada pelos nazistas para o assassinato de 6 milhões de judeus e outras minorias consideradas impuras", declarou o presidente da FISESP.
Apesar de estar recheado de declarações odiosas e fazer exautação do corportamento nazista, especialistas concordam que a leitura do livro não deve ser criminalizada, pois é material importante de estudo para sociólogos e cientistas políticos.
Ao ser questionada, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo não buscou dizer se o exemplar utilizado por Wilho pertencia ao acervo da Biblioteca Mário de Andrade, mas defendeu que o papel da biblioteca pública de disponibilizar para a população todo material histórico e cultural, sem censura prévia:
"as Bibliotecas Municipais seguem as diretrizes do Manifesto Para as Bibliotecas Públicas da Unesco, publicado em 1994, que explicita: 'A participação construtiva e o desenvolvimento da democracia dependem tanto de uma educação satisfatória, como de um acesso livre e sem limites ao conhecimento, ao pensamento, à cultura e à informação", declarou em nota a Secretaria.
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