Estudos mostram que a presença do celular tem afetado a dinâmica das aulas e a saúde mental dos alunos

Sabrina Oliveira Publicado em 15/10/2024, às 09h53
O uso de celulares em sala de aula tem se tornado um dos maiores desafios para os professores, afetando a dinâmica do aprendizado e exigindo novas estratégias para manter a atenção dos alunos. A presença constante desses dispositivos interfere no engajamento e coloca os docentes diante de uma realidade que demanda formação e políticas públicas específicas.
É cada vez mais comum que, ao final de explicações, professores se vejam diante de alunos mais preocupados com suas telas do que com os cadernos. “Quando nos damos conta, o celular já roubou a atenção dos estudantes. Esse é um problema que estamos enfrentando todos os dias”, comenta Gilberto Lacerda dos Santos, professor da Universidade de Brasília (UnB).
Para ele, a solução passa por uma formação que permita aos professores compreenderem melhor o uso pedagógico da tecnologia. “O mundo digital faz parte da rotina dos estudantes, mas é necessário integrar isso de forma inteligente nas aulas. O desafio é grande, mas a educação precisa acompanhar essa mudança”, explica.
Segundo Santos, o desafio enfrentado no Brasil é semelhante ao de países europeus, onde a presença do celular em sala também é motivo de debate. Em países como a França, a docência é tratada como uma carreira de Estado, o que proporciona mais apoio aos professores na implementação de novas práticas tecnológicas.
Já no Brasil, apesar de algumas escolas terem adotado regras claras sobre o uso do celular, a ausência de uma política nacional torna difícil o controle e a aplicação dessas diretrizes. Uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil revelou que 28% das escolas brasileiras já proíbem completamente o uso de smartphones, enquanto outras limitam o acesso a horários específicos.
O uso desenfreado de celulares também acende alertas sobre saúde mental. Para Fábio Campos, pesquisador da Universidade de Columbia, a presença contínua de dispositivos digitais em ambientes escolares pode agravar problemas como ansiedade e depressão. “É frustrante que tenhamos chegado ao ponto de precisar proibir o uso de smartphones. Precisamos de mais debates e soluções equilibradas”, afirma.
Campos relembra ainda o impacto da pandemia, que acelerou o uso de tecnologias nas escolas, mas sem o acompanhamento necessário. “Passamos por uma experiência forçada com as aulas online, mas não evoluímos para uma política nacional que orientasse o uso dessas ferramentas de forma saudável e eficiente”, lamenta.
Embora a proibição total do celular pareça ser uma solução simples, muitos especialistas defendem que a melhor abordagem seria a integração do uso tecnológico no processo educativo. Isso inclui a capacitação dos docentes e a criação de conteúdos pedagógicos que aproveitem as ferramentas digitais de forma positiva.
A tecnologia não vai desaparecer. Precisamos usá-la a nosso favor, mas isso requer preparação e investimento. Professores devem ser vistos como protagonistas nessa adaptação”, conclui Campos.
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