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Desemprego

Taxa de desemprego no Brasil sobe para 6,8% em fevereiro

Apesar disso, é o maior número de trabalhadores com carteira assinada desde 2012

Apesar disso, é o maior número de trabalhadores com carteira assinada desde 2012 - Imagem: Reprodução / Pixabay
Apesar disso, é o maior número de trabalhadores com carteira assinada desde 2012 - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 28/03/2025, às 14h51


No encerramento do trimestre em fevereiro, o Brasil registrou uma taxa de desemprego de 6,8%. Este número representa um aumento de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, que terminou em novembro de 2024, quando a taxa foi de 6,1%. Apesar desse crescimento, o índice atual é o mais baixo para um fechamento de fevereiro desde 2014.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada no Rio de Janeiro.

Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, explica que o aumento da desocupação em comparação ao trimestre anterior é uma tendência comum neste período do ano. "É um movimento esperado, pois a transição do final do ano para os primeiros meses do ano seguinte costuma resultar em uma diminuição na ocupação", comentou.

No total, 7,5 milhões de pessoas estavam desempregadas no período analisado, o que representa um incremento de 10,4% em relação ao trimestre anterior. No entanto, esse número é 12,5% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Setores em Destaque

A análise setorial revelou que entre os dez grupos de atividades estudados pelo IBGE, três apresentaram redução no número de postos de trabalho. O setor da construção civil teve uma queda de 4%, resultando na perda de aproximadamente 310 mil empregos. Já a administração pública e os serviços sociais viram uma diminuição de 2,5%, com a saída de cerca de 468 mil trabalhadores. O setor doméstico também enfrentou dificuldades, com uma redução de 4,8%, ou menos 290 mil empregos.

Beringuy esclareceu que a diminuição dos postos na administração pública está ligada à sazonalidade e ao término dos contratos temporários.

A pesquisadora também ressalta que a sazonalidade do mercado não permite afirmar que há impactos recessivos decorrentes do aumento das taxas de juros implementadas pelo Banco Central para controlar a inflação. "Neste momento, não atribuiria à taxa de juros e sua influência sobre o consumo familiar um efeito direto no mercado de trabalho", afirmou.

No trimestre finalizado em janeiro de 2025, a taxa foi reportada em 6,5%, abaixo dos 6,8% verificados em fevereiro. Entretanto, o IBGE opta por não realizar comparações entre esses períodos consecutivos devido à sobreposição dos meses dezembro e janeiro.

Dados sobre Emprego e Carteira Assinada

A população ocupada no país atingiu 102,7 milhões no trimestre encerrado em fevereiro. Esse número representa uma queda de 1,2% em relação ao período finalizado em novembro (equivalente a menos 1,2 milhão), mas é superior em 2,4% quando comparado ao mesmo período do ano anterior (um aumento de 2,4 milhões).

A pesquisa também revelou um recorde no número de trabalhadores com carteira assinada: foram contabilizados 39,6 milhões desses contratos, o maior desde o início da série histórica em 2012. Em um ano, houve um acréscimo de 1,6 milhão (+4,1%) no número desses trabalhadores.

A Pnad Contínua analisa o mercado laboral entre indivíduos com idade a partir dos 14 anos e considera todas as modalidades de ocupação — incluindo empregos com e sem carteira assinada, além das formas temporárias e autônomas. A pesquisa abrange visitas a 211 mil domicílios em todo o território nacional e no Distrito Federal.

Por fim, a taxa de informalidade — que reflete a proporção de trabalhadores sem acesso a direitos trabalhistas como férias e contribuições previdenciárias — apresentou uma leve redução para 38,1% da população ocupada. Isso equivale a cerca de 39,1 milhões de trabalhadores informais. Nos trimestres encerrados em novembro e também em fevereiro do ano passado, essa taxa estava fixada em 38,7%.


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