Cerca de 77 mil toneladas de frutas brasileiras podem ser perdidas devido a nova tarifa de 50% imposta pelos EUA

William Oliveira Publicado em 20/07/2025, às 12h12
Cerca de 77 mil toneladas de frutas brasileiras, prontas para exportação aos Estados Unidos, correm o risco de deterioração ou de serem vendidas a preços muito abaixo do mercado. Isso se deve à imposição de uma tarifa de 50% anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
A nova taxa, com início previsto para 1º de agosto, já provocou a suspensão de embarques de frutas, pescados, grãos e carnes para os EUA. No setor frutícola, os impactos são especialmente graves. Um levantamento revelou os volumes ameaçados:
A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) informou que cerca de 2,5 mil contêineres estão prontos para envio, aguardando uma solução diplomática para o impasse.
Essa quantidade seria suficiente para abastecer, por um ano inteiro, grandes cidades como Salvador (BA), Manaus (AM) e Recife (PE). Se convertida em suco, essa produção geraria aproximadamente 38,5 milhões de litros — o equivalente a um copo para mais de 192 milhões de pessoas.
Os números evidenciam o impacto severo da disputa comercial, afetando diretamente produtores e exportadores nacionais.
A crise atinge com especial gravidade os agricultores do Vale do São Francisco, principal polo de produção de frutas no Brasil. Sem uma resolução rápida, os efeitos negativos podem se estender por várias safras, comprometendo investimentos, resultando em demissões e desorganizando toda a cadeia logística da fruticultura.
A manga, principal fruta fresca exportada para os EUA, é a mais afetada. A situação se agrava porque o período ideal de embarque — entre agosto e outubro — coincide com a entrada em vigor da nova tarifa.
Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas, afirma que o setor tem poucas alternativas. “Não podemos colocar essa manga no Brasil, porque vai colapsar o mercado. Então, urge uma definição, urge o bom senso, urge a flexibilidade, urge um pensamento global, um pensamento geral, para que não tenhamos que deixar manga no pé, com desemprego em massa”, disse.
Ele também destacou que não há como redirecionar a produção para a Europa neste momento, devido à logística indisponível e ao risco de queda acentuada nos preços.
A entidade alerta que o segundo semestre — período que normalmente concentra a maior parte da receita da fruticultura — pode se tornar crítico. Informações da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) indicam que a exportação de suco de laranja também está ameaçada. Na safra 2024/2025, 305 mil toneladas foram enviadas aos Estados Unidos, gerando mais de US$ 1,3 bilhão em receitas.
Com o aumento tarifário de 533%, torna-se inviável continuar vendendo ao segundo maior mercado consumidor do produto. O volume em risco compromete toda a cadeia produtiva, logo no início da nova safra.
Diante da gravidade do cenário, o governo federal orientou as empresas brasileiras a mobilizarem seus compradores norte-americanos e tenta negociar com as autoridades dos EUA um adiamento da tarifa por pelo menos 90 dias.
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