Setor automotivo supera expectativas, mas mantém cautela com cenário externo

Letícia Sales Publicado em 08/04/2026, às 13h52
O setor automotivo brasileiro registrou um forte avanço em março e superou as projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Foram produzidas 264,1 mil unidades no período, o melhor resultado desde outubro de 2019 e o melhor mês de março desde 2018.
O volume inclui automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões e representa crescimento de 35,6% na comparação com março do ano passado e de 27,6% em relação a fevereiro.
Tivemos um excelente número de produção no mês de março, o melhor resultado em um mês desde outubro de 2019, pré-pandemia. Esse foi um dado que nos chamou bastante a atenção”, afirmou Igor Calvet.
No acumulado de 2026, a produção já soma 634,7 mil veículos, alta de 6% frente ao mesmo período de 2025. Apesar do desempenho positivo, o setor segue atento a fatores externos, como os conflitos no Oriente Médio, que podem impactar o preço do petróleo e os custos da indústria.
As vendas acompanharam o ritmo de crescimento. Março registrou 269,5 mil veículos emplacados — o melhor resultado para o mês desde 2013 e o maior volume mensal desde dezembro de 2014. Na comparação anual, o aumento foi de 37,8%. Em relação a fevereiro, a alta chegou a 45,5%.
No primeiro trimestre, foram licenciados 625,2 mil veículos, crescimento de 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho surpreende, mas ainda não é tempo de comemorarmos. Março surpreende, mas são os próximos meses que vão definir como vamos lidar com o restante do ano”, ponderou Calvet.
Entre os segmentos, o de caminhões mostrou sinais de recuperação, com 8,8 mil unidades emplacadas — alta de 31,9% sobre fevereiro, embora ainda abaixo do registrado em março de 2025. O resultado foi influenciado por programas de incentivo à renovação de frota.
No comércio exterior, as exportações somaram 40,4 mil unidades, com crescimento mensal de 21,1%. Já as importações atingiram 47,3 mil veículos, avançando 40% frente a fevereiro e 25,7% na comparação anual.
Mesmo diante das incertezas globais, a Anfavea manteve a projeção de crescimento para o setor em 2026, com expectativa de alta de 3,7% na produção e de 2,7% nos licenciamentos ao longo do ano.
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