Com safra melhor na Europa, dólar mais baixo e isenção de imposto de importação, o azeite tem queda acumulada de mais de 14% em 12 meses

Manoela Cardozo Publicado em 13/10/2025, às 06h00
Após mais de dois anos de aumentos consecutivos, o azeite começou a ficar mais barato no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira (9), o produto registrou queda de 3,11% em setembro, conforme a inflação oficial do país.
Essa foi a nona redução mensal seguida. No acumulado de 12 meses, o azeite está 14,55% mais barato para o consumidor.
Especialistas apontam três fatores principais para essa queda: clima mais favorável na Europa, desvalorização do dólar e, em menor escala, a isenção do imposto sobre produtos importados.
“Foi a combinação desses fatores”, explica Carlos Eduardo de Freitas Vian, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). “A redução demorou um pouco porque os estoques ainda refletiam preços antigos, mas a queda nas prateleiras já é perceptível”, acrescenta.
Se o cenário atual continuar, o preço do azeite pode cair ainda mais nos próximos meses, segundo os especialistas.
Mais de 98% do azeite consumido no Brasil é importado, principalmente de Portugal e da Espanha. Por isso, a seca e o calor que atingiram os olivais europeus em 2023 fizeram o preço disparar, alcançando o auge em junho de 2024.
Na Europa, as condições climáticas extremas reduziram significativamente a produção de azeitonas, o que impactou o valor do azeite em todo o mundo. Em 2025, porém, o clima mais ameno favoreceu uma safra melhor, contribuindo para a queda de preços.
Com o aumento anterior, muitos consumidores buscaram alternativas mais baratas. Desde o ano passado, o governo federal tem apreendido e retirado do mercado diversas marcas suspeitas ou fraudulentas.
Como o Brasil depende quase totalmente do azeite importado, o preço do produto é influenciado pela cotação do dólar. A moeda americana, que no início do ano estava próxima de R$ 6,20, atualmente está em torno de R$ 5,45.
“Com a desvalorização do dólar no mercado brasileiro, todos os produtos importados tiveram redução de preço”, afirma Felippe Serigati, pesquisador da FGVAgro.
Em março, o governo federal zerou a tarifa de importação de alguns produtos, entre eles o azeite, como parte de uma estratégia para conter a alta dos alimentos.
Segundo Carlos Eduardo, da Esalq, essa medida também ajudou a reduzir o preço, ainda que não tenha sido o fator principal. Já Felippe Serigati avalia que o impacto foi pequeno, “se é que aconteceu”.
Para os economistas, a melhora da safra europeia continua sendo o elemento decisivo para a queda do preço do azeite, tendência que pode se manter nos próximos meses.
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