O comércio entre Brasil e Estados Unidos entrou em uma nova fase após a Justiça americana anular tarifas anteriores e o governo Trump instituir uma taxa global de 15% sobre importações

William Oliveira Publicado em 23/02/2026, às 12h36 - Atualizado às 13h05
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço implementado pelo presidente Donald Trump, seguida pelo anúncio de uma nova tarifa global de 15%, redesenhou o cenário das exportações brasileiras para os Estados Unidos e abriu novas perspectivas para o comércio bilateral.
A medida, anunciada no sábado (21), elevou a alíquota global de 10% para 15%, dentro dos limites da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a aplicação temporária de tarifas antes de avaliação pelo Congresso americano. A nova taxa passa a valer a partir da madrugada de terça-feira (24), atingindo todos os países que mantêm relações comerciais com os EUA, com exceções para determinados produtos estratégicos, como minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos.
Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas impostas anteriormente com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Com isso, foram derrubadas tanto as tarifas recíprocas de 10% anunciadas em 2025 quanto a sobretaxa de 40% aplicada sobre diversos produtos brasileiros.
Com a nova configuração, os produtos exportados pelo Brasil passam a ser taxados pela tarifa regular já existente, acrescida do adicional temporário global de 15%. No caso de setores específicos, como aço e alumínio, permanecem também as alíquotas adicionais já vigentes, o que mantém elevados os custos desses produtos no mercado norte-americano.
De acordo com relatório da organização Global Trade Alert, Brasil e China são os países que mais se beneficiam com a mudança. O Brasil apresenta a maior redução nas tarifas médias, com queda de 13,6 pontos percentuais, seguido pela China e pela Índia. Já aliados tradicionais dos Estados Unidos, como Reino Unido, União Europeia e Japão, passam a enfrentar encargos maiores com a nova política tarifária.
No Brasil, o governo avaliou a decisão como positiva. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a medida melhora a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano e não gera perda de espaço para as empresas nacionais, já que a nova tarifa é aplicada de forma uniforme a todos os países.
Alckmin também destacou a possibilidade de avanço nas negociações comerciais com os Estados Unidos durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país, prevista para março. Segundo ele, o novo cenário abre espaço para discutir questões não tarifárias e ampliar as relações comerciais entre as duas nações.
Dados da Confederação Nacional da Indústria indicam que a decisão da Suprema Corte impacta diretamente cerca de US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos, reforçando a importância da medida para o comércio exterior do país.
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