Boletim Focus aponta IPCA acima do teto da meta e destaca impacto de tensões internacionais nos preços

Letícia Sales Publicado em 04/05/2026, às 10h55
A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil voltou a subir e já ultrapassa o limite da meta estabelecida para o ano. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central, por meio do Boletim Focus, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,86% para 4,89% em 2026.
Com isso, a estimativa segue acima do teto de 4,5% definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que fixa a meta central em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Esse é o oitavo aumento consecutivo nas projeções, refletindo, principalmente, pressões externas sobre os preços.
Entre os fatores que pesam nesse cenário está a instabilidade no Oriente Médio, que tem elevado os custos de combustíveis e influenciado diretamente a inflação. Em março, por exemplo, o aumento nos preços de transporte e alimentação fez o índice fechar o mês em 0,88%, acima dos 0,7% registrados em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a inflação está em 4,14%, segundo o IBGE.
Juros seguem como principal ferramenta de controle
Para conter a inflação, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, dando continuidade ao ciclo de cortes iniciado após um longo período de juros elevados.
Apesar da redução, o cenário ainda exige cautela. Em comunicado, o Copom afirmou que acompanha os desdobramentos da guerra e seus impactos econômicos: “o colegiado está monitorando o conflito e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação”.
A projeção do mercado é de que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano, com trajetória de queda gradual nos anos seguintes.
Crescimento econômico e dólar estáveis
Enquanto a inflação preocupa, as expectativas para o crescimento econômico permanecem estáveis. O mercado projeta alta de 1,85% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Para os anos seguintes, a estimativa gira em torno de 2%.
Já o dólar deve encerrar 2026 cotado a R$ 5,25, com leve alta prevista para 2027, quando a moeda norte-americana pode atingir R$ 5,30.
O cenário indica um equilíbrio delicado entre controle da inflação e estímulo à economia, em um contexto marcado por incertezas no ambiente internacional.
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