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TARIFAÇO

Haddad anuncia reação do governo após sobretaxa de 50% dos EUA

O ministro da Fazenda se reunirá com o secretário do Tesouro dos EUA para discutir a nova tarifa e suas consequências para o Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Marcelo Camargo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Marcelo Camargo

William Oliveira Publicado em 06/08/2025, às 13h36


No mesmo dia em que entrou em vigor a nova sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou uma reunião virtual com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, marcada para a próxima quarta-feira (13). O encontro tem como objetivo discutir e tentar reverter a medida, que afeta diretamente diversos setores da economia brasileira. Uma possível reunião presencial entre as autoridades poderá ser considerada, dependendo dos resultados da conversa inicial.

Segundo Haddad, o Ministério da Fazenda concluiu um plano emergencial de apoio às empresas brasileiras atingidas pela nova tarifa. O documento será encaminhado ainda nesta quarta-feira (6) ao Palácio do Planalto. A proposta prioriza pequenos exportadores e inclui ações como a criação de linhas de crédito facilitadas e o aumento de compras públicas nos setores mais impactados. A efetivação do plano depende da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e deverá ser formalizada por medida provisória.

Durante entrevista, o ministro criticou a postura de parlamentares e governadores da oposição, que, segundo ele, estariam contribuindo para o agravamento da crise comercial com os EUA. Haddad mencionou especificamente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que declarou não ter recebido pressões do agronegócio para abandonar sua defesa por sanções contra o Brasil.

"O empresariado, além de vir para Brasília, tem que conversar com a oposição. Tem que parar com isso. Estão prejudicando o país por qual motivo?", questionou Haddad.

Ele também cobrou posicionamento de governadores oposicionistas: "Não é fingir que não tem nada acontecendo, se esconder debaixo da cama e desaparecer.” Para ele, é essencial separar as discussões econômicas das disputas políticas. “A oposição está atrapalhando o país. E não sou eu que estou dizendo, é a própria oposição que diz que quer atrapalhar. O país precisa se unir para defender a causa nacional."

A sobretaxa foi instituída após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva alegando “emergência nacional”. Segundo o documento, ações do governo brasileiro teriam prejudicado empresas e interesses americanos, violando, entre outros pontos, a liberdade de expressão. Trump também apontou uma suposta “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro como justificativa adicional para a medida.

Com a nova tarifa, a alíquota de 10% aplicada anteriormente subiu para 50%, um acréscimo de 40 pontos percentuais. Cerca de 700 produtos – o equivalente a 44,6% das exportações brasileiras para os EUA – foram isentados da sobretaxa. Entre os itens excluídos estão commodities estratégicas para os americanos, como petróleo, aeronaves da Embraer, componentes aeronáuticos, celulose e suco de laranja. No entanto, produtos-chave do agronegócio brasileiro, como café, cacau e carne, foram diretamente afetados pela nova cobrança.

A reunião entre Haddad e Bessent será o primeiro contato oficial entre os dois países após a imposição da sobretaxa e poderá abrir caminho para um eventual encontro entre os presidentes Lula e Trump. Em declarações anteriores, Haddad já havia defendido a busca por soluções diplomáticas e reafirmado o respeito à autonomia dos Poderes no Brasil, destacando que as tensões políticas mencionadas pelos EUA não têm relação com o governo federal: “A discussão política não tem nada a ver com o Executivo federal brasileiro”, concluiu o ministro.


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