Acordo de US$ 565 milhões com a Serra Verde prevê expansão da produção e opção de participação minoritária

Erika Osti Publicado em 05/02/2026, às 17h21
O governo dos Estados Unidos firmou um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a mineradora brasileira Serra Verde, visando garantir acesso a minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia e a transição energética, em um contexto de redução da dependência da China.
O financiamento, parte de um pacote apresentado pelo vice-presidente JD Vance, será utilizado para refinanciar dívidas e aumentar a capacidade produtiva da mina em Goiás, que se destaca pela exploração de terras raras pesadas.
A produção comercial da Serra Verde começou em 2024, com uma meta de atingir 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027, enquanto a participação minoritária de investidores americanos reforça o interesse estratégico dos EUA na produção de minerais críticos no Brasil.
O governo dos Estados Unidos firmou um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, que opera em Minaçu, no norte de Goiás. O contrato inclui a possibilidade de aquisição de uma participação minoritária na empresa e integra a estratégia americana de garantir acesso a minerais considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética.
O anúncio foi feito pela própria Serra Verde e ocorre em meio a um esforço mais amplo de Washington para reduzir a dependência global da China no fornecimento de minerais críticos. O financiamento está inserido em um pacote apresentado pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que prevê a criação de um bloco comercial preferencial voltado a esses insumos e o estabelecimento de preços mínimos para o setor.
Os recursos serão liberados por meio da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, agência governamental voltada ao apoio de projetos estratégicos no exterior. Segundo a mineradora, o montante será usado para refinanciar linhas de crédito em condições mais favoráveis e para ampliar a capacidade produtiva da operação em Goiás.
A Serra Verde se destaca por explorar um tipo de depósito considerado raro fora da Ásia: terras raras pesadas. Diferentemente de muitos projetos ocidentais, a mina apresenta elevada concentração de disprósio e térbio, minerais classificados como críticos por seu uso em tecnologias avançadas.
Esses elementos são empregados na fabricação de ímãs de alto desempenho e componentes utilizados em setores como indústria automotiva, equipamentos médicos, geração de energia renovável, eletrônicos, robótica, defesa e aplicações aeroespaciais. A empresa também produz outros óxidos de terras raras relevantes para cadeias industriais de alto valor agregado.
A produção comercial da Serra Verde começou no início de 2024. Atualmente, a operação ainda não atingiu sua capacidade máxima, que deve alcançar cerca de 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027, conforme projeção da própria companhia.
De capital fechado, a Serra Verde é controlada por grupos de investimento privados. Entre os acionistas estão a Denham Capital, a Energy and Minerals Group e a Vision Blue, empresa liderada por Mick Davis, ex-diretor da mineradora internacional Xstrata. A eventual participação minoritária de investidores americanos não implica mudança no controle da companhia, mas reforça o interesse estratégico dos Estados Unidos na produção brasileira de minerais críticos.
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