Alckmin se reúne com representantes da indústria e do agronegócio para definir estratégias contra a taxação de 50% imposta por Trump a produtos brasileiros

Lívia Gennari Publicado em 15/07/2025, às 16h05
O governo federal promoveu nesta terça-feira (15) encontros com representantes dos setores industrial e do agronegócio para discutir a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As reuniões fazem parte da estratégia do governo para enfrentar o chamado “tarifaço” e buscar soluções que minimizem os impactos econômicos para o país.
Pela manhã, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, recebeu lideranças da indústria brasileira. No período da tarde, o diálogo foi direcionado ao agronegócio, outro setor fortemente atingido pelas medidas anunciadas pela Casa Branca. O objetivo é ouvir as sugestões dos setores mais afetados para orientar as ações do governo diante das sobretaxas.
Durante a abertura da reunião com os industriais, Alckmin destacou o empenho do governo brasileiro, em parceria com o setor produtivo, para reverter a situação. Segundo ele, a taxação é inadequada, sobretudo considerando a longa relação diplomática e comercial entre os dois países.
“É totalmente incompreensível a decisão da tarifa”, afirmou Alckmin.
O vice-presidente lembrou que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil e ressaltou que, dos dez principais produtos exportados pelos norte-americanos ao país, oito entram com tarifa zero.
Empresários querem mais tempo para negociar tarifa
Durante a reunião, surgiu a proposta de envolver também o empresariado dos Estados Unidos nos esforços para negociar alternativas ao tarifaço de Trump contra o Brasil. Alckmin destacou que os representantes da indústria brasileira presentes ao encontro apoiam a busca por diálogo direto com o setor privado norte-americano. Além disso, os empresários solicitaram que o governo negocie um adiamento de 90 dias na entrada em vigor das novas tarifas.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, também participou da reunião e criticou a decisão dos EUA.
“Não há qualquer razão política, jurídica ou econômica para essa medida”, afirmou.
Para ele, a proposta de Donald Trump representa um cenário de "perde-perde", com prejuízos para ambos os lados. Alban disse confiar em uma solução negociada.
“O que entendemos dessa reunião é que o Brasil não se precipitará de forma alguma em medidas de retaliação. O que queremos é entendimento. E temos visto essa disposição no Governo. O equilíbrio e o bom-senso vão prevalecer", declarou.
Além de buscar diálogo com o setor privado norte-americano, o governo brasileiro também pretende conversar com empresas dos EUA que compram e vendem para o Brasil, na tentativa de mostrar os prejuízos causados pela medida.
As conversas com os setores produtivos fazem parte da primeira ação do recém-criado Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, que reúne os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, da Fazenda, das Relações Exteriores e da Casa Civil.
Participaram das reuniões, os ministros Rui Costa (Casa Civil), Maria Laura da Rocha (substituta do Ministério das Relações Exteriores), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Carlos Fávaro (Agricultura) e André de Paula (Pesca e Aquicultura).
A nova política tarifária dos Estados Unidos impacta diretamente importantes setores da economia brasileira. A justificativa do governo norte-americano é proteger a produção interna em áreas consideradas estratégicas, mas o Brasil considera a medida excessiva e avalia respostas com base na recém-regulamentada Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada neste ano pelo Congresso.
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