Alckmin se reunirá com Lula para discutir a criação de um comitê que analisará os impactos das tarifas

Gabriela Thier Publicado em 13/07/2025, às 16h40
Neste domingo (13), o vice-presidente Geraldo Alckmindestacou que o governo do Brasil está em busca de uma solução diplomática para contestar a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Durante um evento de inauguração de um viaduto em Francisco Morato, na Grande São Paulo, Alckmin enfatizou que, na ausência de um acordo, o Brasil tomará medidas proporcionais.
"Estamos empenhados em reverter essa situação", afirmou Alckmin, referindo-se aos impactos da decisão de Trump sobre setores como café, suco de laranja, carne bovina e aço. Ele também mencionou que o governo federal está preparado para implementar o decreto de reciprocidade, que prevê a imposição de sobretaxas sobre produtos americanos. A regulamentação deste decreto deve ser publicada até a próxima terça-feira (15).
O vice-presidente anunciou que se reunirá ainda hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silvapara discutir a criação de um comitê especial responsável por coordenar a resposta brasileira às tarifas. Esse grupo contará com a participação de membros do governo e da iniciativa privada. "Atuaremos com determinação e unidade para proteger os interesses do Brasil", declarou Alckmin. O objetivo do comitê será analisar os efeitos da medida americana e desenvolver contramedidas de maneira integrada, envolvendo ministérios e setores diretamente afetados. A intenção é mostrar que o Brasil pode reagir sem abrir mão da diplomacia.
O decreto da Lei de Reciprocidade Econômica já está elaborado e deverá ser utilizado como ferramenta legal para aplicar tarifas equivalentes às impostas pelos Estados Unidos. Essa medida vem sendo debatida desde que Trump anunciou, no início do mês, o aumento das tarifas como uma estratégia para pressionar interesses comerciais e políticos.
A crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos já gerou reações entre empresários, diplomatas e líderes internacionais. Embora o Palácio do Planalto busque evitar um confronto direto, as autoridades brasileiras consideram a retaliação inevitável diante da falta de diálogo e dos prejuízos estimados ao agronegócio e à indústria brasileira.
As declarações de Alckmin refletem uma postura mais firme do governo brasileiro e reafirmam a determinação do Planalto em agir com "firmeza e responsabilidade", conforme mencionado pelo presidente Lula na última sexta-feira. Nos bastidores, assessores governamentais reconhecem que, embora ainda exista espaço para negociações, as chances de uma reversão por parte de Trump são mínimas.
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