Nesta terça-feira, o dólar desvalorizou 0,21%, enquanto o Ibovespa subiu 0,48%, impulsionado pela JBS e expectativas de juros

Gabriela Thier Publicado em 18/03/2025, às 19h26
Nesta terça-feira (18), o dólarapresentou uma desvalorização de 0,21%, encerrando a sessão cotado a R$5,673, o que representa o menor valor desde 24 de outubro do ano anterior. Ao longo do dia, a moeda americana flutuou entre uma máxima de R$5,714 e uma mínima de R$5,656. Em contrapartida, o índice Ibovespa teve um desempenho positivo, subindo 0,48% e fechando aos 131.474 pontos. Essa alta foi impulsionada principalmente pela valorização expressiva das ações da JBS, que dispararam 18,38% após a decisão da BNDESPar de não participar da votação sobre a proposta de dupla listagem da companhia nos mercados dos Estados Unidose do Brasil.
Os investidores estão atentos à chamada "superquarta", data em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciarão suas decisões sobre as taxas de juros. A expectativa é que o Copom eleve a taxa Selic em 1 ponto percentual, alcançando 14,25% ao ano, enquanto se prevê que o Fed mantenha sua taxa entre 4,25% e 4,5%.
A manutenção das taxas elevadas nos EUA tem impacto direto no apetite dos investidores por ativos mais arriscados, como as moedas dos mercados emergentes. Se o Fed decidir manter os juros altos, os títulos do Tesouro americano continuarão sendo atraentes, o que pode diminuir a demanda pelo real. No entanto, a significativa diferença entre as taxas de juros brasileira e americana pode atrair investimentos internacionais.
Em âmbito interno, a proposta do governo Lula para ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$5.000 mensais também chamou a atenção do mercado. Estima-se que essa medida beneficiará cerca de 10 milhões de contribuintes. Para compensar uma perda de arrecadação prevista em R$27 bilhões, será instituído um imposto sobre alta renda com alíquotas progressivas que podem chegar a até 10% para indivíduos com rendimentos superiores a R$1,2 milhão ao ano.
A instabilidade no cenário internacional também afetou os mercados financeiros. Os investidores estão monitorando com atenção a escalada do conflito na Faixa de Gaza, onde ataques israelenses resultaram na morte de mais de 400 pessoas, conforme relatos palestinos. Na Europa, um pacote de endividamento foi aprovado na Alemanha com o intuito de fortalecer sua defesa, ação que poderá estimular a economia regional.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump manteve uma conversa telefônica com Vladimir Putin para discutir um possível cessar-fogo no conflito da Ucrânia. A Rússia concordou em interromper os ataques à infraestrutura ucraniana por um período de 30 dias; no entanto, condicionou uma trégua completa à suspensão do apoio militar ocidental a Kiev. A incerteza envolvendo este conflito e as novas tarifas impostas por Trump a seus parceiros comerciais geram cautela entre os investidores globais.
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