Com a imposição de tarifas, o dólar apresenta leve alta, mas acumula desvalorização de 1,13% na semana

Gabriela Thier Publicado em 02/04/2025, às 19h33
Na sessão desta quarta-feira (2), o dólar apresentou uma leve valorização, encerrando abaixo da marca de R$5,70. O movimento foi influenciado pela cautela dos investidores diante da expectativa de anúncio das tarifas recíprocas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu implementar. Em meio a essas incertezas, observou-se um desinvestimento em moedas latino-americanas, mesmo com a valorização das commodities, como petróleo e minério de ferro.
O real, que geralmente é mais afetado em dias de ajustes nas carteiras de investimento, destacou-se positivamente entre as moedas da região. Em contraste, o peso chileno e o colombiano enfrentaram perdas significativas.
Durante as primeiras horas de negociação, o dólar demonstrou uma tendência de queda, continuando o movimento da terça-feira anterior, quando fechou abaixo da marca de R$ 5,70 pela primeira vez desde 20 de março, atingindo uma mínima de R$ 5,6610. Entretanto, a moeda norte-americana mudou seu comportamento ainda pela manhã após a divulgação de dados otimistas sobre emprego e indústria nos EUA.
Com uma máxima registrada em R$ 5,7150, o dólar à vista concluiu o pregão com alta de 0,25%, cotado a R$ 5,6967. Na semana atual, a divisa acumula uma desvalorização de 1,13% e no ano a queda é de 7,82%. Após o fechamento do mercado spot, Trump anunciou a imposição de uma tarifa geral de 10% sobre todas as importações para os EUAe uma taxa adicional de 25% para automóveis. O plano inclui a combinação dessa tarifa universal com taxações específicas entre países; no caso do Brasil, a tarifa mínima será fixada em 10%. Consequentemente, o contrato futuro do dólar para maio mostrou queda ao operar abaixo de R$ 5,69.
Em comparação às moedas latino-americanas, o dólar teve um desempenho menos favorável frente ao euro e à libra esterlina. Essa dinâmica provocou uma redução no índice DXY em aproximadamente 0,40%, fazendo com que este ficasse abaixo da marca de 104.000 pontos, com mínima aos 103.686 pontos. Ao mesmo tempo, as taxas dos Treasuries mostraram alta, com o retorno da T-note de 10 anos alcançando 4,20%.
No cenário interno, o Banco Central divulgou que o fluxo cambial total até 28 de março registrou um saldo negativo de US$ 8,850 bilhões devido à saída líquida de US$ 12,528 bilhões pelo canal financeiro. No acumulado do ano até agora, o saldo total é negativo em US$ 16,397 bilhões, apesar da entrada líquida de US$ 6,459 bilhões oriunda do comércio exterior.
A B3 também apresentou dados nesta quarta-feira indicando que a posição líquida dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira foi positiva em R$ 3,118 bilhões durante março. Isso elevou o saldo acumulado do primeiro trimestre para R$ 10,642 bilhões - a melhor performance para esse período nos últimos três anos.
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