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Defesa do Consumidor

Cresce número de golpes financeiros no país

Fraudes com crédito consignado e investimentos prometem ganhos altos e usam e-mails falsos para enganar consumidores

Tentativas de fraude cresceram mais de 40% no varejo, aponta Serasa. - Imagem: Reprodução/Freepik.
Tentativas de fraude cresceram mais de 40% no varejo, aponta Serasa. - Imagem: Reprodução/Freepik.

Erika Osti Publicado em 31/01/2026, às 15h05


O início de 2026 confirma uma tendência que já vinha preocupando órgãos de defesa do consumidor e o setor financeiro: o avanço dos golpes envolvendo crédito consignado e investimentos, especialmente em CDBs. Segundo a Serasa Experian, o varejo brasileiro registrou, ao longo de 2025, uma tentativa de fraude a cada dois minutos, número 41% maior do que o do ano anterior. A escalada das ocorrências acompanha o uso de estratégias cada vez mais sofisticadas para enganar o consumidor.

Como o golpe é aplicado

Na prática, os criminosos exploram informações reais e a confiança das vítimas em instituições conhecidas. No caso do crédito consignado, a abordagem costuma começar por mensagens enviadas por e-mail, SMS ou aplicativos de conversa. O golpista se apresenta como representante de banco ou correspondente financeiro e oferece portabilidade, refinanciamento ou liberação imediata de crédito. Ao longo do contato, solicita dados pessoais ou induz o consumidor a assinar documentos digitais que acabam autorizando empréstimos não reconhecidos.

Nos investimentos, o esquema segue lógica semelhante. Golpistas divulgam falsas aplicações em CDBs com promessas de rendimentos muito acima dos padrões do mercado e afirmam, de forma indevida, que o dinheiro estaria protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos. Em episódios recentes, nomes de instituições reais foram usados sem autorização, como em casos associados ao Banco Master, o que reforça a aparência de legitimidade e dificulta a identificação do golpe.

Uso de e-mails e canais falsos

O e-mail permanece como uma das principais portas de entrada das fraudes. As mensagens reproduzem com fidelidade comunicações institucionais, com logotipos, linguagem técnica e links que levam a páginas falsas quase idênticas às originais. O tom costuma ser urgente, com avisos de bloqueio de conta, necessidade de atualização cadastral ou ofertas restritas por tempo limitado.

Especialistas alertam que bancos não pedem senhas, códigos de segurança ou transferências por esses canais. Ainda assim, o grande volume de mensagens digitais no dia a dia facilita a ação dos criminosos e aumenta o risco de decisões precipitadas.

Como identificar sinais de fraude

Promessas de alta rentabilidade sem risco são um dos principais alertas. No mercado financeiro, ganhos elevados sempre envolvem algum grau de exposição. A pressão para decidir rapidamente, a dificuldade de acessar informações oficiais e detalhes técnicos mal explicados também são indícios frequentes. Endereços de e-mail suspeitos, links encurtados e pequenos erros de escrita completam o quadro.

Como se proteger e agir em caso de fraude

A orientação central é desconfiar e verificar. O consumidor deve acessar os sites das instituições digitando o endereço diretamente no navegador e confirmar qualquer oferta pelos canais oficiais. Se houver suspeita ou confirmação de fraude, é essencial comunicar imediatamente o banco, registrar boletim de ocorrência e reunir documentos e comprovantes. A rapidez na reação pode ser decisiva para bloquear operações e reduzir prejuízos.

Diante do aumento e da sofisticação dos golpes, especialistas reforçam que informação e cautela continuam sendo as principais ferramentas de proteção. Em um cenário de comunicação digital intensa e ofertas constantes de crédito e investimento, desconfiar, checar a origem das mensagens e evitar decisões apressadas pode fazer a diferença entre uma operação segura e um prejuízo financeiro difícil de reverter.


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