Presidente nacional do PL afirma que não há prova de irregularidade em emendas parlamentares, enquanto PF aponta indícios de direcionamento de recursos públicos e possível benefício final ao dirigente partidário.

Ana Beatriz Silva Publicado em 10/07/2026, às 17h56
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, negou irregularidades após o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens determinado pelo ministro Flávio Dino, em uma investigação sobre o direcionamento irregular de emendas parlamentares.
A Polícia Federal apura que Valdemar teria direcionado verbas públicas sem mandato, com cerca de R$ 104 milhões já pagos, e 21 emendas identificadas entre 2024 e 2026, totalizando aproximadamente R$ 119,2 milhões.
Além do bloqueio patrimonial, Dino suspendeu despesas relacionadas às emendas investigadas e solicitou documentação à Câmara dos Deputados, enquanto a defesa de Valdemar planeja contestar as acusações e garantir seus direitos legais.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, negou nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, ter cometido irregularidades envolvendo emendas parlamentares e afirmou que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, parte de premissas frágeis e criminaliza a atividade político-partidária. A manifestação ocorreu após Dino determinar o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do dirigente, no âmbito de uma investigação sobre suposto direcionamento irregular de emendas.
A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, investigação da Polícia Federal que apura possíveis desvios de recursos de emendas parlamentares. Segundo a PF, Valdemar teria atuado para direcionar verbas públicas mesmo sem exercer mandato no Congresso Nacional. A corporação afirma que os recursos teriam sido encaminhados de forma forjada e desviados, e que o presidente do PL pode ter sido o beneficiário final.
De acordo com a investigação, cerca de R$ 104 milhões já teriam sido efetivamente pagos. Ao todo, a PF identificou 21 emendas atribuídas a Valdemar entre 2024 e 2026, com valor total de aproximadamente R$ 119,2 milhões. O bloqueio determinado por Dino busca garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as suspeitas sejam confirmadas ao fim do processo.
Além do bloqueio patrimonial, Dino suspendeu a execução de despesas públicas relacionadas às emendas investigadas, independentemente da fase em que estivessem, seja empenho, liquidação ou pagamento. O ministro também determinou que a Câmara dos Deputados envie ao STF toda a documentação referente à tramitação interna dos recursos sob suspeita.
A defesa de Valdemar, assinada pelos advogados Marcelo Ávila de Bessa e Thiago Fleury, afirma que o presidente do PL recebeu a decisão com surpresa e nega categoricamente a prática de qualquer crime. Segundo os advogados, a atuação de um presidente nacional de partido junto a parlamentares é natural no sistema democrático, desde que não haja prova de fraude, ocultação deliberada, desvio funcional ou apropriação indevida de recursos públicos.
Os defensores também argumentam que a Procuradoria-Geral da República teria se manifestado contra as medidas cautelares e criticam o bloqueio de patrimônio pessoal de Valdemar enquanto o inquérito ainda está em fase de apuração. Para a defesa, não há demonstração individualizada de dolo, fraude, desvio de finalidade ou participação consciente em crime.
A Polícia Federal, por outro lado, sustenta que planilhas, mensagens e registros apontam para um possível arranjo no qual parlamentares eram formalmente apresentados como solicitantes das emendas, enquanto as escolhas sobre o destino dos recursos seriam atribuídas ao presidente do PL. Em relatório citado pela Folha, a PF afirma que Valdemar teria autonomia para direcionar recursos de emendas de comissão conforme uma cota pessoal vinculada à sua condição de dirigente partidário.
Parte das emendas investigadas teria sido destinada a municípios de São Paulo. Segundo o UOL, 15 das 21 emendas apontadas pela PF foram encaminhadas para cidades paulistas. Entre os destinos citados estão Suzano, Caraguatatuba, Mogi das Cruzes e Santa Fé do Sul. Também aparecem na apuração Porto Seguro, na Bahia, Rio de Janeiro e Dom Eliseu, no Pará.
A emenda de maior valor citada pela investigação teria sido de R$ 24 milhões para Porto Seguro. Em seguida, aparecem repasses de R$ 15,8 milhões e R$ 11 milhões para Suzano, no estado de São Paulo. Segundo a PF, os dados foram cruzados com informações do Portal da Transparência e planilhas apreendidas na investigação.
Na decisão, Dino afirmou haver indícios relevantes de que Valdemar, mesmo sem mandato parlamentar, teria interferido no direcionamento do orçamento público. O ministro também relacionou o caso às exigências de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares, tema que vem sendo acompanhado pelo STF em razão de suspeitas envolvendo o chamado orçamento secreto.
O caso ainda não representa condenação. A investigação segue em andamento, e a defesa afirma que adotará todas as medidas judiciais cabíveis para demonstrar a improcedência das imputações, restabelecer a legalidade e preservar as garantias fundamentais de Valdemar Costa Neto.
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