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Relações de trabalho

Correios avançam com escala 12x36 e enfrentam reação de trabalhadores em todo o país

Estatal aposta em modelo para aumentar eficiência logística, enquanto sindicatos denunciam risco de precarização e articulam mobilização nacional.

Correios anunciam nova escala de trabalho e enfrentam resistência de trabalhadores e sindicatos - Imagem: Reprodução
Correios anunciam nova escala de trabalho e enfrentam resistência de trabalhadores e sindicatos - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 29/03/2026, às 22h27


Os Correios anunciaram a implementação gradual da escala de trabalho 12x36 em setores específicos, visando modernizar operações e aumentar a eficiência em resposta ao crescimento do comércio eletrônico no Brasil.

A nova escala, que consiste em 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso, será aplicada em áreas que demandam maior agilidade, como centros de distribuição, com o objetivo de melhorar a capacidade de processamento e a competitividade frente a operadores privados.

A proposta enfrenta resistência da Federação Nacional dos Trabalhadores, que considera a mudança prejudicial à saúde dos funcionários e já orientou a categoria a não assinar acordos individuais, preparando-se para possíveis mobilizações caso a implementação avance.

A Correios anunciou a adoção gradual da escala de trabalho 12x36 em atividades específicas da empresa, como parte de um plano de reestruturação operacional. A mudança, informada na terça-feira (24), não será aplicada de forma imediata nem uniforme, mas seguirá critérios internos de necessidade, principalmente em áreas com funcionamento contínuo.

Segundo a estatal, a medida busca modernizar os fluxos logísticos e ampliar a eficiência diante do crescimento acelerado do comércio eletrônico no Brasil, que tem pressionado a operação de entrega de encomendas. A escala 12x36, que prevê 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso, deve ser direcionada a setores que exigem maior agilidade e disponibilidade, como centros de distribuição e triagem.

A empresa argumenta que o novo modelo permitirá melhor adequação das equipes à demanda operacional, aumentando a capacidade de processamento e fortalecendo a competitividade no segmento de encomendas, especialmente frente ao avanço de operadores privados de logística. Os Correios também afirmam que a implementação respeitará a legislação trabalhista vigente e os direitos dos empregados.

No entanto, a proposta enfrenta forte resistência da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares, que classifica a mudança como prejudicial à saúde e às condições de trabalho dos funcionários. Em nota, a entidade afirma que a escala pode “adoecer, sobrecarregar e desrespeitar” os trabalhadores, além de representar uma flexibilização considerada excessiva da jornada.

A federação orientou os funcionários a não assinarem acordos individuais relacionados à nova escala e informou que a categoria já começa a se organizar nacionalmente para tentar barrar a implementação. Caso o plano avance, a entidade não descarta a realização de paralisações e outras formas de mobilização.

O embate ocorre em um momento de transformação estrutural no setor logístico, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e pela exigência por entregas mais rápidas. Especialistas apontam que empresas públicas e privadas têm buscado adaptar suas operações para atender a esse novo cenário, o que frequentemente envolve mudanças nas jornadas de trabalho e nos modelos operacionais.

A adoção da escala 12x36 não é inédita no Brasil e já é aplicada em áreas como saúde e segurança. No entanto, sua expansão para o setor logístico em larga escala levanta debate sobre limites operacionais, impacto na saúde dos trabalhadores e equilíbrio entre produtividade e condições de trabalho.


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