Especialistas acreditam que a crise pode impactar movimentos adotados pelo Banco Central

Marina Roveda Publicado em 14/03/2023, às 11h51
Dois bancos norte-americanos tiveram a falência decretada na última sexta-feira (10): o Silicon Valley Bank (SVB), focado em startups de tecnologia, e o Signature Bank, especializado no fornecimento de serviços bancários para escritórios de advocacia. Logo, as autoridades federais precisaram anunciar medidas urgentes para conter as consequências da crise financeira ocasionada pela quebra das instituições.
Como a confiança dos clientes é fundamental para um banco, o principal temor do mercado após a quebra de um banco é que a população peça resgate de recursos alocados em outros bancos, gerando um problema de liquidez ao setor, é o que o diretor de alocação e distribuição na InvestSmart XP, André Meirelles, acredita.
“Os bancos funcionam emprestando dinheiro de terceiros. Por isso, se toda população precisar retirar sua poupança ao mesmo tempo, o caixa disponível não será suficiente para cumprir os resgates. Isso acontecendo de maneira macro significaria uma quebra sistêmica, o que traz implicações negativas para toda economia. Para evitar que isso aconteça, o Fed [o Federal Reserve, órgão equivalente ao Banco Central nos Estados Unidos] lançou uma linha de financiamento que assegura os depositantes do banco. Um dos principais motivos para falta de liquidez do Silicon Valley foi o aumento dos juros nos Estados Unidos. Parte considerável dos ativos do banco estavam alocados em títulos do Tesouro Americano ou em participação nas startups que eles financiavam, ambos com revisões negativas em seu valor patrimonial com o recente aumento nos juros”, esclareceu o especialista em uma exclusiva à JovemPan.
Caso a inflação ultrapasse o esperado, Meirellesexplica que o Fed pode ser pressionado a elevar ainda mais a taxa de juros. Determinação na qual iria contra a liquidez do setor bancário.
Consequentemente, as medidas adotadas pelo Fed (Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos) poderão impactar no comportamento do Banco Central em relação a taxa de juros.
“Caso a crise nos bancos regionais americanos force o Fed a ter uma postura mais frouxa em relação à taxa de juros, como está sendo precificado no mercado, o mercado passou a precificar na curva de juros um espaço para o Copom também cortar juros já no segundo semestre deste ano. Um início de ciclo de afrouxamento dos juros no Brasil pode ajudar os ativos brasileiros, como a Bolsa, e os títulos pré-fixados. Mas é importante lembrar que o Brasil é um mercado emergente e tem uma sensibilidade/volatilidade maior que outros mercados em um evento de aversão a risco global. Dessa forma, não estamos isolados do resto do mundo, e os acontecimentos lá fora seguirão tendo impacto nos preços de ativos por aqui”, avisaram os especialistas da XP em relatório publicado na segunda-feira (13).
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