Autoridade monetária abandona plano de criar uma moeda digital brasileira e prioriza plataforma para contratos inteligentes e operações seguras

Gabriela Nogueira Publicado em 10/11/2025, às 16h46
O chefe-adjunto do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, Breno Lobo, afirmou na semana passada que a autoridade monetária desistiu de lançar uma moeda digital brasileira oficial, nos moldes do que chegou a ser apresentado em 2021. A mudança de rumo já havia sido antecipada pela colunista do Diário de São Paulo, Marina Roveda.
Durante evento da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE), Lobo explicou que o BC manterá apenas a infraestrutura tecnológica do projeto, voltada ao uso de contratos inteligentes e operações seguras de “entrega contra pagamento”.
Segundo ele, o Drex deve funcionar como uma plataforma, e não mais como CBDC (moeda digital emitida por banco central).
“A gente deu um passo para trás. Não é uma CBDC, uma moeda digital do BC. É uma infraestrutura para permitir contratos inteligentes, para garantir a entrega contra pagamento”, afirmou o representante do Banco Central.
Mudança de rumo
Quando o projeto foi anunciado oficialmente em 24 de maio de 2021, o site do Banco Central apresentava o Drex como “uma extensão da moeda física”, garantia de segurança e alternativa mais confiável que criptoativos privados.
Agora, porém, a instituição entende que a população não necessariamente precisa que o ativo seja emitido pelo BC.
“Pouco importa se é uma moeda emitida pelo Banco Central ou por uma instituição financeira”, disse Lobo, sem detalhar o motivo da mudança de orientação.
Para que serve o Drex agora
Mesmo sem a moeda digital própria, o BC defende que a infraestrutura do Drex pode trazer ganhos práticos à população por meio de contratos inteligentes — documentos digitais que só se concretizam quando todas as condições são atendidas.
Entre as aplicações possíveis:
Compra e venda de carros e imóveis com transferência automática do bem no exato momento do pagamento, reduzindo fraudes e litígios.
Dispositivos inteligentes, como geladeiras conectadas, poderiam comprar itens automaticamente e pagar por meio de carteira digital, sem cadastro de cartão ou taxas bancárias.
Segundo Lobo, essa automação pode tornar transações mais rápidas, seguras e baratas.
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