Após cinco anos, a Justiça condenou a 16 anos de prisão o enfermeiro que matou a ex-mulher com oito tiros na frente do posto de saúde onde ela trabalhava

Redação Publicado em 30/11/2021, às 00h00 - Atualizado às 06h33
Após cinco anos, a Justiça condenou a 16 anos de prisão o enfermeiro que matou a ex-mulher com oito tiros na frente do posto de saúde onde ela trabalhava como enfermeira no Centro de São Paulo. O julgamento ocorreu na última quarta-feira (24) no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste.
Ismael dos Santos Praxedes está preso desde 22 de julho de 2016, quando matou Fernanda Sante Limeira perto da Unidade Básica de Saúde (UBS) da República.
A vítima tinha 35 anos de idade e era perseguida pelo ex-marido, que não aceitava o fim do casamento. O casal estava separado havia oito anos. Além disso, ele queria a guarda da filha, que tinha dez anos à época.
O júri popular condenou o réu por homicídio doloso, aquele no qual há a intenção de matar, com duas qualificadoras. A primeira é de que ele cometeu o crime por motivo torpe e a segunda, que utilizou recurso que dificultou a de defesa da vítima.
A Lei do Feminícidio, de 2015, prevê que assassinatos cometidos por companheiros ou ex-companheiros da vítima sejam registrados como tal. Quase 15% dos homicídios de mulheres cometidos em 2020, em que os autores do crime eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas, não foram registrados devidamente como feminicídio, segundo o 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Como Ismael já estava detido há cinco anos numa unidade prisional, ele continuará encarcerado para cumprimento dos 11 anos restantes da pena. Ele tem 42 anos atualmente.

“A personalidade deturpada do acusado e a maior culpabilidade, isto é, o elevado grau de reprovabilidade de sua conduta, merecem ser sopesadas nesta fase e autorizam a fixação da pena base acima do mínimo legal”, escreveu na sentença o juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri. Ele aplicou o tempo da pena a partir da decisão dos jurados em condenar o réu.
Segundo o magistrado, Ismael é uma “pessoa bastante mentirosa e de índole manipuladora” por ter inventado uma falsa acusação de que o namorado da sua ex-mulher abusava sexualmente da filha do casal. “Jamais demonstrada nos autos”, argumentou Roberto Cintra.
O promotor Neudival Mascarenhas Filho, que acusou o enfermeiro, informou que irá recorrer da sentença por entender que o réu teria de ser condenado a uma pena maior do que 16 anos de prisão. Além disso, ele comentou que a UBS onde Fernanda trabalhava foi rebatizada com o nome da enfermeira como uma maneira de homenagear a profissional.
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G1
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