Considerada extinta desde o século XVII, a Bermuda Petrel reapareceu em 1951 e hoje protagoniza uma das maiores histórias de recuperação ambiental do planeta.

Redação Publicado em 02/03/2026, às 11h03
A Bermuda Petrel, considerada extinta desde 1620, foi redescoberta em 1951 com a localização de 18 casais sobreviventes, desafiando a crença de sua extinção e destacando a importância da conservação. Essa ave marinha, que se reproduz apenas nas Bermudas, sofreu drasticamente devido à introdução de espécies invasoras e à destruição de seu habitat.
Os principais fatores que levaram à quase extinção da espécie incluem a predação por animais trazidos pelos colonizadores, a caça indiscriminada e a perda de áreas de nidificação devido ao desmatamento. Sem defesas naturais contra esses novos predadores, a população da ave foi severamente afetada.
A recuperação da Bermuda Petrel foi impulsionada por intervenções científicas, como a criação de ninhos artificiais e o controle de predadores, resultando em um aumento populacional significativo, de 18 para mais de 160 casais reprodutores. Embora ainda classificada como 'Em Perigo', a espécie representa um exemplo de sucesso em políticas ambientais baseadas em ciência.
Durante mais de três séculos, o canto melancólico ouvido nas noites de tempestade nas ilhas do arquipélago das Bermudas foi tratado como lenda. O “Cahow” — como é conhecida popularmente a Bermuda Petrel — havia sido declarada extinta oficialmente em 1620, após o avanço da colonização europeia.
Mas em 1951, cientistas encontraram 18 casais sobreviventes escondidos em fendas rochosas isoladas. O que parecia impossível aconteceu: a ave “fantasma” estava viva.
A Bermuda Petrel é uma ave marinha de médio porte, com até 38 centímetros de comprimento e cerca de 92 centímetros de envergadura. Vive em mar aberto no Atlântico Norte e só retorna às Bermudas para se reproduzir, cavando ninhos em tocas subterrâneas.
Por que ela desapareceu?
A extinção quase definitiva foi resultado de três fatores principais:
Espécies invasoras: porcos, ratos, gatos e cães introduzidos pelos colonizadores devastaram ovos e filhotes.
Caça em larga escala: colonos famintos capturavam as aves com as próprias mãos.
Destruição do habitat: o desmatamento para construção naval eliminou áreas adequadas de nidificação.
Sem predadores naturais antes da chegada humana, a espécie não tinha defesas contra o novo cenário.
A virada histórica
A recuperação só foi possível graças à intervenção científica intensiva. Projetos como o da Ilha de Nonsuch criaram ninhos artificiais de concreto, controlaram predadores e transferiram filhotes para áreas mais seguras contra furacões e elevação do nível do mar.
O resultado é considerado um marco na biologia da conservação: a população saltou de 18 casais em 1951 para mais de 160 casais reprodutores atualmente.
Hoje, a Bermuda Petrel segue classificada como “Em Perigo”, mas simboliza algo maior — prova de que políticas ambientais baseadas em ciência podem reverter cenários que pareciam irreversíveis.
IDENTIDADE DA ESPÉCIE
Nome científico: Pterodroma cahow
Habitat: Mar aberto; reprodução restrita às Bermudas
Dieta: Lulas, peixes e crustáceos
Curiosidade: Jovens passam de 3 a 5 anos no oceano antes de tocar terra novamente
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