Inflação do café é a mais alta desde a criação do plano real, com fatores climáticos e aumento de custos pressionando os preços

Karina Faleiros Publicado em 11/05/2025, às 11h42
O preço do café moído acumula uma alta de 80,2% nos últimos 12 meses, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), divulgados nesta sexta-feira (9). De acordo com o IBGE, essa é a maior inflação registrada para o produto desde maio de 1995, quando a variação em 12 meses chegou a 85,5%.
Essa elevação representa também o maior avanço de preços desde a criação do plano real, já que o índice de maio de 1995 ainda incluía dados de junho de 1994, período anterior à adoção da nova moeda.
Durante esse tempo, a produção de café foi afetada por fatores climáticos, como calor intenso e seca, além de outros elementos que pressionaram os custos e impactaram o preço final (detalhados abaixo).
Somente em abril, o café moído teve aumento de 4,48%. Embora seja uma desaceleração em relação aos meses anteriores, o valor continua alto. Em março, a alta foi de 8,14% e, em fevereiro, chegou a 10,77% — a maior variação mensal em 26 anos.
Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, afirmou que o cenário internacional também tem influenciado os preços e que a valorização do dólar contribui para o encarecimento do produto.
Em fevereiro, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) já havia alertado que o consumidor sentiria novas altas nos meses seguintes, pois o setor ainda não havia repassado completamente os custos da compra do grão.
Por que o café ficou tão caro?
Especialistas apontam uma série de fatores que ajudaram a elevar o preço do café no Brasil e no mercado internacional:
Clima extremo: A seca e o calor intenso do ano passado prejudicaram as plantações, provocando um estresse nas plantas que interromperam o desenvolvimento dos frutos. Esse tipo de condição climática, somada a geadas e ondas de calor, tem afetado a produção há pelo menos quatro anos. Nesse período, os custos da indústria com matéria-prima aumentaram em 224%, enquanto o preço final para o consumidor subiu 110%.
Redução da oferta global: Outros grandes produtores, como o Vietnã, também enfrentaram dificuldades climáticas, o que resultou em quebras de safra e impacto na oferta mundial do grão.
Aumento no custo da logística: Conflitos armados no Oriente Médio elevaram os preços de transporte e dos contêineres usados para exportação, o que influenciou diretamente no custo do produto exportado.
Alta no consumo: O café continua sendo a segunda bebida mais consumida no Brasil e no mundo, atrás apenas da água. A demanda interna segue forte, enquanto o Brasil também conquista novos mercados internacionais. Um exemplo é a China, que passou da 20ª para a 6ª posição entre os maiores importadores de café brasileiro desde 2023.
Com essa valorização, produtores brasileiros estão vendo o lucro aumentar significativamente — em alguns casos, até 150%. A alta histórica do grão vem mudando hábitos de consumo e comportamento do setor.
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