
Marcelo Emerson Publicado em 18/08/2022, às 08h41
As eleições de 2022 se aproximam e poucos são os candidatos que apresentam projetos realizáveis. Em meio ao festival de retórica eleitoreira, dificilmente é possível encontrar discursos que representem ideias programáticas a respeito dos principais problemas que assolam o nosso país.
Um dos principais temas em qualquer eleição deveria ser a defesa dos direitos dos trabalhadores. O país atravessa uma das piores crises sócio-econômicas da sua história. O desemprego, o desalento e a precarização do trabalho acometem milhões de homens e mulheres em idade economicamente ativa.
Diante disso, é importante se questionar: o que é a classe trabalhadora atualmente?
Quando o capitalismo tinha sua força central na indústria, a classe trabalhadora era mais facilmente identificável.
Com o processo de precarização estrutural do trabalho inerente ao capitalismo da sociedade da informação, em que dados e informações assumem centralidade no sistema de produção e circulação de riquezas, o setor de serviços acaba atingindo maior importância no mundo em que há expansão da economia digitalizada e financeirização da economia
Com isso, a inevitável corrosão dos direitos trabalhistas, surgidos após o advento da Revolução Industrial, se verifica nas multidões de trabalhadores que se imaginam “empreendedores”.
Há popularização do trabalho intermitente, que é a institucionalização da burla aos direitos trabalhistas consagrados por séculos.
Avulta de importância o trabalho para aplicativos digitais, desprovidos de direitos, que é a uberização do trabalho. Os proprietários dos instrumentos de trabalho alugam seus instrumentos e sua força de trabalho para as imensas corporações do metacapitalismo. As corporações não assalariam os trabalhadores, porque alegam que apenas conectam o trabalhador ao consumidor do serviço.
A classe trabalhadora se torna mais plural e complexa, com a fragmentação de diferentes pessoas que a compõem.
Lamentavelmente, muitos dos próprios trabalhadores sequer sabem exatamente quais os seus direitos básicos e, muito menos, reconhecem políticos que possam defendê-los na imensidão de factoides que povoam a mente dos militantes e suas respetivas bolhas digitais.

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