Por Kleber Carrilho

Redação Publicado em 23/04/2022, às 00h00 - Atualizado às 07h42
Por Kleber Carrilho
Os erros de Lula e os acertos de Bolsonaro
Como até agora a tal terceira via não conseguiu focar em um único nome viável, então temos que falar dos dois que realmente decidiram competir na próxima eleição presidencial: Lula e Bolsonaro.
O ex-presidente, que definiu uma estratégia de voo solo para tentar a cadeira do Planalto, viu nos últimos dias o vice Geraldo Alckmin, que foi escolhido pela característica da moderação no discurso e da capacidade de observar antes de falar, querer se transformar em um líder sindical. E isso pegou mal para todos, inclusive para Lula, que demonstrou claramente que não ficou confortável com a situação.
Além disso, a campanha do petista virou uma bagunça no comando. Não tem liderança definida, nem equipe de estratégia, muito menos um caminho narrativo claro. O que se tem até agora foram as definições do próprio Lula, mas isso é insuficiente para fazer com que a comunicação chegue a todos os cantos, principalmente às periferias, aos interiores do país e à população mais jovem, que vive nas redes sociais.
Enquanto isso, quem toca a campanha de Bolsonaro, que já tinha demonstrado grande capacidade de usar o ambiente digital em 2018, começa a mostrar que não vai deixar de trabalhar com competência, fazendo com que, mesmo entre as interações digitais dos adversários, a presença do atual presidente seja constante.
As imagens dos posts, a utilização dos discursos e das músicas de artistas que não o apoiam, as ações de fidelidade aos amigos, como o perdão ao deputado Daniel Silveira, tudo serve para furar as bolhas bolsonaristas e colocar o titular do cargo ainda mais presente em todos os cantos, nas redes e nos meios de comunicação tradicionais.
A eleição ainda está distante, mas já dá para saber que, mesmo com toda a intenção de voto que Lula tem, não dá para apontar que ele vai ganhar facilmente. Pelo contrário, a incapacidade de definir uma estratégia de comunicação logo pode ser terrível para quem torce ou se beneficiaria de uma vitória do petista.
Há tempo para mudar, para adaptar, para recuperar o terreno perdido. Porém, se houver o que pelo visto está acontecendo, uma briga interna para definir quem vai levar os louros da vitória, talvez não haja louro para ninguém, e o país tenha que encarar mais quatro anos do ex-capitão.
Quem trabalha com comunicação sabe como é difícil chamar a atenção, despertar o interesse e fazer com que os eleitores defendam um projeto político, para então votar. E isso tem que ser recuperado por Lula e por quem o apoia.
Tem gente que acha que tem atalho, que somente a lembrança sobre um período econômico melhor será suficiente. Porém, do outro lado, tem um adversário com capacidade de mobilização, não só de motos, mas também de memes, fakenews e call to actions nas redes sociais e nos aplicativos de mensagem.

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