
por Dennis Munhoz
Publicado em 14/10/2022, às 08h26
Quase oito meses desde a invasão russa à Ucrânia e o Presidente russo enfrenta problemas com intensidade inesperada dentro e fora de seu país. Ao decidir invadir a Ucrânia, ele tinha certeza que não haveria o envio de tropas por parte dos Estados Unidos ou Europa, mesmo porque a grande maioria dos líderes destes países demonstrava muita hesitação e não queriam encarar o desgaste de soldados lutando fora de suas fronteiras. Procurou aproximar-se da China, que indiretamente sairia fortalecida com esta criminosa invasão e cuidou de manter reservas superiores a 600 bilhões de dólares para combater as sanções comerciais que certamente ocorreriam. Tudo parecia competentemente organizado e os danos colaterais calculados, tomando os territórios que ele desejava e fortalecendo a Rússia e seu governo ditatorial. Um fator importante não foi avaliado: O Tempo.
Muitos especialistas em guerras e estratégias militares apontavam graves falhas no exército russo, desde sua falta de agilidade, passando por logística rudimentar, despreparo das tropas e até equipamentos defasados. Será que Putin não sabia disto? Parece que não. Os generais russos omitiram e mentiram com receio de perder seus cargos, que acabou custando a vida de muitos deles nos campos de batalha, um número incomum e inesperado. Generais raramente morrem em batalhas e quando isto ocorre é devido à necessidade de presença deles para tentar reorganizar as tropas e estratégias pessoalmente. A resistência ucraniana, turbinada pelos equipamentos americanos e europeus, além da significativa ajuda financeira destes países, não foi devidamente calculada por Putin, obrigando-o a convocar 300 mil reservistas para apoiar as “operações militares” como ele gosta de chamar a invasão. O desgaste interno foi enorme e o eventual benefício militar além de demorado pode ser totalmente ineficaz. Quanto tempo demora para treinar, capacitar e habilitar reservistas que há muitos anos ou nunca participaram de treinamento militar? A fuga de cidadãos russos após o anúncio foi alarmante, inclusive lotando estradas e aeroportos. Manifestações populares ganharam espaço e foram reprimidas ao estilo Putin de governar, com agressões e prisões dos manifestantes. O povo russonão queria e agora rejeita totalmente a invasão, as tropas estão desgastadas e desmotivadas, além dos reflexos das sanções financeiras na economia russa. Os milionários russos que vivem dentro e fora do país têm sentido na pele, ou melhor, no bolso os enormes prejuízos, lembrando que muitos são ou eram muito ligados ao Presidente que com a queda da então União Soviética, loteou as gigantescas estatais e riquezas do país com seus amigos mais fiéis.
Com a popularidade em baixa, resistência da população e de vários setores importantes das forças armadas, além das finanças do Estado caindo vertiginosamente, como o vaidoso ditador travestido de presidente eleito pode ficar ainda mais perigoso? Quando Putin precisa pegar o macaco não hesita em colocar fogo na floresta, mesmo com o elevado risco do macaco morrer queimado. Após o “referendum” que só a Rússia, Coréia do Norte e Síria reconheceram a legitimidade para anexar à Federação Russa alguns Estados ucranianos, baseado em Decreto aprovado pelo governo russo, qualquer ataque a estas regiões, mesmo que seja sem utilização de armas nucleares, autoriza o presidente russo a utilizar armas nucleares. Aí que mora o perigo. Particularmente não creio que ele chegue a este ponto, mesmo porque o desdobramento pode ser trágico para o mundo, todavia esperar bom senso de Putin seria o mesmo que o garçom esperar do cliente vegano que peça o bife mal passado.
O bombardeio que provocou a destruição parcial da ponte na Criméia, obra que custou mais de 6 bilhões de dólares, aproximada 33 bilhões de reais, ao governo russo foi o presente indesejado de aniversário de 70 anos de Putin, que ordenou ataques de misseis de longo alcance atingindo a infraestrutura de energia, militar e de comunicação da Ucrânia. Apesar de não ter ocorrido o reconhecimento oficial pelo governo ucraniano da autoria, até paródia musical foi veiculada com a imagem de Marilyn Monroe cantando “Happy Birthday, Mr. Presidente”, Parabéns Senhor Presidente, trocando a foto do então presidente americano John F. Kennedy para a foto de Putin.
A realidade é que nunca estivemos tão próximos de conflito nuclear desde outubro de 1962, no famoso episódio da crise dos mísseis de Cuba, que durante 13 dias Estados Unidos e União Soviética divergiam quanto a implantação de mísseis balísticos soviéticos em território cubano. No dia 16 deste mês, ou seja, há 60 anos, John F. Kennedy e Nikita Khrushchev, então presidentes dos Estados Unidos e União Soviética quase iniciaram o conflito nuclear originando a Guerra Fria entre os países que durou até a derrocada da União Soviética em 1991.
O que podemos esperar de Vladimir Putin e Joe Biden?
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