
Nathália Hovsepian de Souza Publicado em 24/01/2023, às 10h45
A Armênia foi o primeiro país a adotar o cristianismo como religião oficial. Em 301 o Rei Deidart III abandonou a cultura politeísta após atribuir à São Gregório Iluminador a cura por uma enfermidade psíquica que lhe transformava, segundo o mito, em javali. O monte Ararat, símbolo nacional, é considerado pelos armênios como o ponto em que a arca de Noéatracou após o dilúvio e os habitantes da armênia seriam assim descendentes diretos dos sobreviventes.
Situada no leste da Europa, fazendo fronteira com Turquia, Irã, Azerbaijão e Georgia, a Armênia se mantém como reduto cristão cercado por países islâmicos. Após a dissolução da União Soviética o território de Nagorno-Karabakh/Artsakh tradicionalmente de população armênia ficou encravado no território do Azerbaijão.
Em 1991 por meio de um referendo a população de Nagorno-Karabakh declarou sua independência do Azerbaijão e seu autoproclamou República de Artsakh. Desde então a população sofre com constantes ataques do Azerbaijão que busca o controle territorial, a expulsão dos armênios do território e o controle religioso.
Encravado no interior do Azerbaijão, a única ligação com os outros países é o corredor de Lachin que liga Nagorno-Karabakh com a Armênia. Desde 13 de dezembro de 2022 o Azerbaijão bloqueou o corredor, também chamado de estrada da vida, e têm impedido a entrada de alimentos, medicamentos, auxílio médico e a circulação de pessoas. O objetivo dos azeris é a limpeza étnica, há um ódio instaurado em razão das diferenças religiosas e culturais e uma disputa por território e gás.
São 120 mil habitantes em Artsakh dentre eles 30 mil são crianças. Os alimentos desapareceram das prateleiras dos mercados, não há medicamentos e insumos para procedimentos cirúrgicos, a energia e a internet estão sendo fornecidos com instabilidade e o gás essencial para o aquecimento das casas já que as temperaturas podem chegar até 10 graus negativos está sendo interrompido.
A crise humanitária instalada é de grande gravidade e a ameaça de um novo genocídioarmênio é iminente. O conflito tem recebido pouca visibilidade das mídias tradicionais, mas para as pessoas comprometidas na construção de uma sociedade fraterna, justa e solidária o chamado a conhecer o conflito e apoiar as 120 mil pessoas cercadas no Azerbaijão é medida que se impõe.
No Brasil, a comunidade armênia por intermédio da Cruz vermelha, única organização humanitária que tem conseguido furar o bloqueio do corredor de Lachin, busca suporte na divulgação das notícias e no envio de suprimentos. O Papa Francisco também manifestou sua preocupação com a crise humanitária em Artsakh e convocou todos os cristãos para encontrar soluções pacíficas para o conflito. A situação em Artsakh se agrava a cada dia e como nação fraterna temos o dever de combater a barbárie e o compromisso de ajudar.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Falso assalto termina com dois funcionários baleados por policial de folga na Zona Leste de São Paulo

Moraes dá 48 horas para defesa de Bolsonaro explicar divulgação de carta lida por Flávio nas redes

Frente fria traz garoa e frio intenso para São Paulo nesta semana

Propostas do governo Trump para flexibilizar venda de armas preocupam especialistas sobre impacto no tráfico internacional

Ônibus furtado invade imóvel na Cidade Tiradentes e motorista foge após colisão

Falso assalto termina com dois funcionários baleados por policial de folga na Zona Leste de São Paulo

Petróleo dispara com nova escalada entre EUA e Irã e mercado teme impactos globais

Os 5 ataques cibernéticos mais comuns: Como evitar ser a próxima vítima