A nova estrutura contará com consultórios, salas de exames e laboratórios, além de acolhimento para pacientes voluntários
Gabriela Thier Publicado em 04/07/2025, às 19h06
O Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) está prestes a inaugurar um novo Centro de Pesquisas Clínicas, além de um décimo instituto que visa aumentar a oferta de atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes nas áreas de oftalmologia, otorrinolaringologia e cirurgias faciais, cranianas e do pescoço.
A nova unidade será erguida na interseção da Avenida Rebouças com a Doutor Ovídio Pires de Campos. A construção, que demandará um investimento de R$117 milhões, está programada para ser concluída até 2028. Assim como outras instituições, como o Instituto do Câncer e o Instituto Perdizes, este novo espaço será administrado por uma organização social.
Em paralelo, o Centro de Pesquisas Clínicas receberá um aporte financeiro estimado em R$50 milhões. Essa estrutura contará com consultórios, salas para exames e laboratórios, além de áreas destinadas à acolhida de pacientes voluntários que participarão de pesquisas clínicas. A previsão é que a entrega ocorra em 2026.
Fontes do SP2 revelaram detalhes da fachada do edifício Ovídio Pires de Campos, que terá dez andares e dois subsolos. A nova construção incluirá consultórios especializados, salas para ensino e pesquisa, quatro salas cirúrgicas, 17 leitos para recuperação e 10 leitos de UTI.
Os encaminhamentos para os atendimentos serão realizados por meio do sistema Cross, a central de regulação da saúde estadual.
Antonio José Rodrigues Pereira, superintendente do Hospital das Clínicas, comentou sobre as metas ambiciosas da instituição: espera-se um aumento de 47% no número de consultas, um incremento de 75% nas cirurgias complexas que exigem internação e uma elevação de 178% nos procedimentos cirúrgicos ambulatoriais.
Pereira destacou a importância dessas intervenções: "Atualmente, temos pacientes na fila aguardando implantes cocleares ou cirurgias para catarata e glaucoma. O tempo é crucial para crianças que precisam desses procedimentos". Ele enfatizou ainda que as cirurgias ambulatoriais devem saltar de 6.000 para 17.000 anualmente, beneficiando 10.000 novos pacientes no SUS sem custos adicionais à população.
Vale ressaltar que ambas as obras enfrentam um atraso acumulado de dois anos; originalmente anunciadas em 2022, estavam previstas para serem entregues no início deste ano. O custo total dos projetos também foi ajustado, subindo de R$150 milhões para R$166 milhões.
Pereira atribuiu os atrasos à burocracia na liberação dos recursos e a alterações no projeto inicial. Ademais, o local da nova construção atualmente abriga um estacionamento e árvores consideradas parte do Patrimônio Ambiental do Estado.
A vegetação em questão é considerada significativa e protegida contra corte; no entanto, 90 árvores serão removidas. O acordo de compensação ambiental aprovado pelas autoridades municipais estipula o plantio de 90 novas mudas – sendo 35 no mesmo terreno, quatro na calçada e 51 dentro do complexo do HC.
Elisa Ramalho Rocha, arquiteta especializada em regeneração urbana pelo instituto Ecobairro Brasil, criticou a compensação proposta: "Essa abordagem ainda é incipiente. Substituir árvores adultas com funções ecossistêmicas significativas por mudas jovens que levarão anos para oferecer os mesmos benefícios não é uma compensação realista".