Saúde Gestacional

Exposição ao Aedes aegypti pode elevar riscos no parto, aponta pesquisa

Quase 7 milhões de nascimentos entre 2015 e 2020 evidencia efeitos das infecções transmitidas pelo mosquito

Mais de 6,9 milhões de nascimentos foram analisados para entender o impacto da dengue, zika e chikungunya - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 26/09/2025, às 18h57

As arboviroses, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, estão emergindo como um grave desafio para a saúde materno-infantil no Brasil. A crescente incidência dessas infecções levanta preocupações significativas, especialmente em relação ao bem-estar de gestantes e recém-nascidos.

Recentemente, um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicado na revista Nature Communications examinou dados de mais de 6,9 milhões de nascidos vivos no país entre 2015 e 2020. Os achados revelam uma associação alarmante entre infecções por arbovírus durante a gravidez e um aumento no risco de complicações tanto no parto quanto para os bebês, incluindo partos prematuros, baixo peso ao nascer e até mesmo mortes neonatais.

A pesquisa foi realizada por especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Fiocruz Bahia), que identificaram que as infecções por arboviroses durante a gestação estão ligadas a um aumento significativo no risco de complicações neonatais. Entre as preocupações destacadas estão o baixo escore de Apgar — uma avaliação crucial realizada logo após o nascimento para verificar a adaptação do bebê — além do óbito neonatal.

A dengue, especificamente, foi associada não apenas a partos prematuros e baixo peso, mas também a anomalias congênitas, que representam alterações estruturais e funcionais no desenvolvimento fetal. Por sua vez, o vírus da zika mostrou efeitos adversos ainda mais pronunciados, com um risco mais que dobrado de má-formação congênita em bebês cujas mães contraíram o vírus durante a gestação.

O pesquisador Thiago Cerqueira-Silva enfatizou que os padrões de risco associados aos diferentes vírus variam ao longo da gestação. "Este estudo oferece evidências detalhadas que contradizem a ideia de que apenas o vírus da zika representa uma grande ameaça durante a gravidez. Constatamos que tanto a chikungunya quanto a dengue também trazem consequências severas, incluindo um aumento no risco de morte neonatal e anomalias congênitas. Essa informação é vital para orientar estratégias clínicas e de saúde pública", afirmou.

Cerqueira-Silva também destacou a importância de compreender os períodos críticos da gravidez em que as mulheres estão mais vulneráveis às infecções por arbovírus. A variação nos riscos sugere que diferentes mecanismos biológicos podem estar em jogo em cada fase da gestação, o que reforça a necessidade de vigilância contínua e estratégias preventivas ao longo dos nove meses.

No contexto da prevenção, o pesquisador ressalta que os resultados do estudo sublinham a urgência em fortalecer as medidas protetivas para gestantes. Isso é essencial não apenas para salvaguardar a saúde das mães, mas também para evitar impactos que podem afetar significativamente a vida das crianças ao longo dos anos.

Particularmente em comunidades vulneráveis, a maior exposição ao mosquito transmissor intensifica o risco de infecção, com consequências mais graves durante a gestação. Ademais, os custos associados aos cuidados com crianças que apresentam anomalias congênitas ou complicações neonatais recaem desproporcionalmente sobre famílias de baixa renda.

Diante desse cenário alarmante, o pesquisador defende com urgência a ampliação da cobertura vacinal contra dengue e a inclusão da vacinação contra chikungunya nas diretrizes nacionais de imunização.

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