Pesquisadores da Alemanha e Áustria analisam como Ozempic, Wegovy e Mounjaro afetam a percepção de sabor em pacientes com sobrepeso
Gabriela Nogueira Publicado em 17/09/2025, às 15h07
Pesquisadores de instituições na Alemanha e Áustria apresentaram um estudo que sugere que medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, podem alterar a percepção de sabor dos alimentos. A pesquisa foi divulgada durante o congresso anual da European Association for the Study of Diabetes (EASD), realizado em Viena.
Publicada na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, a investigação envolveu 411 participantes com sobrepeso ou obesidade, dos quais 148 utilizavam Ozempic, 217 faziam uso de Wegovy e 46 estavam em tratamento com Mounjaro. A maioria dos voluntários era composta por mulheres (69,6%) e havia pelo menos três meses de uso contínuo das medicações, com um tempo médio de tratamento variando entre 40 a 47 semanas.
Os principais resultados indicaram que aproximadamente 21,3% dos entrevistados relataram que os alimentos estavam mais doces, enquanto 22,6% notaram um aumento na salinidade. Curiosamente, não houve relatos significativos sobre mudanças na percepção do amargor ou acidez. Além disso, 58,4% dos participantes afirmaram sentir menos fome e 63,5% disseram se sentir satisfeitos mais rapidamente após as refeições. O índice de massa corporal (IMC) médio apresentou uma redução de 15% a 17% ao longo do acompanhamento.
Entre os usuários do Wegovy, observou-se uma taxa superior: 26,7% mencionaram que os alimentos pareciam mais salgados em comparação com apenas 16,2% e 15,2% dos usuários de Ozempic e Mounjaro, respectivamente.
O endocrinologista Othmar Moser, responsável pela pesquisa, explicou que esses medicamentos atuam não apenas no controle do apetite através do intestino e do cérebro, mas também nas papilas gustativas e em áreas do cérebro ligadas ao sabor e à recompensa. "Esses fármacos podem modificar a forma como sabores intensos como o doce e o salgado são percebidos, influenciando assim o apetite e a sensação de saciedade", destacou Moser.
Embora a pesquisa tenha identificado uma correlação entre as mudanças no paladar e a diminuição do apetite, os pesquisadores ressaltam que não existe uma ligação direta entre as alterações gustativas e a perda de peso. A explicação para isso é que o emagrecimento é influenciado por diversos fatores que vão além da percepção do gosto, incluindo metabolismo individual, hábitos alimentares ao longo do tempo, nível de atividade física e predisposição genética.
A análise das mudanças na percepção gustativa pode servir como uma ferramenta adicional para avaliar a eficácia do tratamento. Para profissionais da saúde, essa descoberta abre novas possibilidades:
No entanto, o estudo apresenta limitações. Baseado em questionários online com informações auto-relatadas pelos pacientes, não é possível confirmar que as alterações no paladar foram causadas diretamente pelos medicamentos. Ademais, o perfil dos voluntários pode não representar toda a população usuária desses tratamentos. Os pesquisadores sugerem que investigações adicionais sejam realizadas com métodos clínicos e laboratoriais para validar os achados.
Os medicamentos analisados incluem:
Todas essas opções pertencem ao grupo de terapias baseadas em incretinas, que mimetizam hormônios naturais do organismo para controlar tanto a glicemia quanto a fome.