A decisão surge em meio a críticas de Lula e possíveis candidaturas de oposição para 2026
Gabriela Thier Publicado em 18/09/2025, às 19h50
Na quinta-feira (18), o União Brasil anunciou uma decisão significativa que impacta seus filiados que ocupam cargos em comissão no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A cúpula do partido aprovou uma resolução que estabelece um prazo de 24 horas para que esses membros se desliguem das suas funções na Administração Pública Federal Direta ou Indireta. De acordo com a nota oficial, o não cumprimento dessa determinação poderá ser interpretado como um ato de infidelidade partidária.
Atualmente, o partido exerce controle sobre o Ministério do Turismo, liderado por Celso Sabino (União-PA), além de ter indicações em outros setores do governo federal. Recentemente, a legenda também indicou Waldez Góes para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional e Frederico Siqueira para as Comunicações, ambos associados ao senador Davi Alcolumbre (União-AP).
A resolução ressalta que qualquer membro pode denunciar a continuidade de filiados em cargos governamentais. O rompimento entre o União Brasil e o governo já vinha sendo esperado, especialmente após a formação de uma federação com o Partido Progressista (PP). Embora não houvesse um prazo definido até então, dirigentes afirmam que a situação se agravou em agosto, quando Lula fez críticas a Antonio de Rueda, presidente do partido, durante uma reunião ministerial.
Além disso, tanto Rueda quanto Ciro Nogueira (PP) já manifestaram que não apoiarão uma eventual candidatura de reeleição por parte de Lula e sugerem a apresentação de um candidato de centro-direita nas eleições de 2026. O União Brasil está considerando a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, enquanto outros membros da oposição estão se mobilizando em torno do nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
A cúpula do partido também expressou apoio incondicional ao presidente Rueda após surgirem reportagens que alegam uma suposta conexão dele com o Primeiro Comando da Capital (PCC), acusações que ele nega veementemente. Em comunicado oficial, o União Brasil declarou "solidariedade irrestrita" ao seu líder e criticou a divulgação de informações que consideram "infundadas e superficiais", destinadas a prejudicar sua imagem.
A nota oficial destaca a estranheza em relação à divulgação dessas alegações logo após a determinação do afastamento dos filiados. O partido vê isso como uma possível tentativa política de desestabilizar sua liderança e enfraquecer sua posição como oposição ao governo atual.