Senado do México aprova aumento de tarifas para China, Brasil e outros países

Medida avança com 76 votos favoráveis e passa a valer em 1º de janeiro de 2026

A proposta, que entra em vigor em 2026, abrange mais de 1.400 produtos e gera preocupações sobre inflação e custos de produção - Imagem: Reprodução

Gabriela Nogueira Publicado em 11/12/2025, às 19h13

O Senado mexicano aprovou na quarta-feira (10) um pacote de tarifas de importação que altera de maneira significativa a política comercial do país. A medida, que alcançou ampla maioria com 76 votos favoráveis e apenas cinco contrários, passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 e afeta diretamente o comércio com países como China e Brasil. A decisão consolida uma estratégia anunciada pela presidente Claudia Sheinbaum, que defende a necessidade de reforçar a produção interna diante de crescentes disputas comerciais no cenário internacional.

O projeto já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados no início da semana e alcança mais de 1.400 categorias de produtos, abrangendo setores-chave da economia, como automotivo, têxtil, vestuário, eletrodomésticos, plásticos e calçados. Países como Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Rússia, Tailândia, Turquia e Taiwan também serão impactados. A versão original da proposta previa tarifas que poderiam chegar a 50 por cento, mas após negociações, legisladores reduziram os percentuais para faixas entre 20 e 35 por cento, preservando taxas mais altas apenas em casos específicos.

Apesar da aprovação expressiva, 35 senadores preferiram se abster, alegando que o texto avançou sem uma análise detalhada dos possíveis efeitos inflacionários. Entre os críticos, ganhou força o argumento de que a decisão foi acelerada e poderia comprometer o equilíbrio econômico em um momento sensível para a economia mexicana.

Durante o debate, integrantes do governo destacaram as oportunidades que a medida pode gerar para a indústria nacional. O senador Juan Carlos Loera, do partido Morena, afirmou que a reforma tem como objetivo fortalecer o setor produtivo, ampliar cadeias de suprimentos e incentivar a criação de empregos. Segundo ele, o México precisa aproveitar o atual contexto geopolítico para reposicionar sua economia e reduzir a dependência de importações.

A proposta surge em meio à pressão do governo norte-americano, que demonstrou preocupação com o fluxo de produtos chineses entrando no mercado dos Estados Unidos por meio do México. Em setembro, Sheinbaum apresentou o projeto como parte de uma resposta a essas tensões, argumentando que o país precisa proteger seu mercado interno ao mesmo tempo em que demonstra compromisso com seus parceiros comerciais. A nova política deve influenciar diretamente as discussões sobre o futuro do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, que o México renegociará com Estados Unidos e Canadá.

O posicionamento gerou reações dentro e fora do México. Mario Humberto Vázquez, senador do PAN, questionou se o país estaria definindo sua própria estratégia ou simplesmente reagindo às pressões de Washington. Já a China, um dos principais alvos das tarifas, manifestou formalmente sua insatisfação e afirmou que estuda medidas de retaliação. A posição chinesa reacende preocupações no setor privado mexicano, que teme impactos na inflação e no custo de produção.

Representantes da Câmara de Comércio México-China alertaram que a construção de uma cadeia produtiva forte dentro do território mexicano exigirá investimentos prolongados e que a transição pode gerar preços mais altos ao consumidor. Ainda assim, o governo mantém a avaliação de que a reforma é essencial para reduzir a vulnerabilidade externa e preparar o país para futuras negociações comerciais.

Com a entrada em vigor das novas tarifas prevista para 2026, o México se posiciona em um terreno delicado, tentando equilibrar proteção industrial, pressões internacionais e desafios econômicos internos em um momento de rearranjos globais.

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