Luiz Marinho também afirmou que o poder de negociação dos sindicatos deve ser reestabelecida
Gabriela Nogueira Publicado em 10/11/2025, às 17h28
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, classificou a escala de trabalho 6×1 como um modelo “perverso” durante sessão na Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (10), em debate sobre a proposta que pode acabar com esse tipo de jornada no país.
Segundo o ministro, parlamentares e entidades presentes convergiram na avaliação de que a jornada atual é prejudicial, “em especial para as mulheres”, devido à sobrecarga e à dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal.
Marinho também defendeu o restabelecimento do poder de negociação dos sindicatos, afirmando que existe um “preconceito” histórico contra entidades representativas dos trabalhadores. Ele questionou ainda o número de horas exigidas em alguns setores do comércio.
“É preciso que um supermercado trabalhe 24 horas por dia?”, provocou.
O ministro reconheceu que parte do mercado teme impactos econômicos com uma eventual redução de jornada, mas lembrou que empresas já adotam horários de 36 horas semanais sem prejuízos à produtividade.
A PEC em discussão
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), pretende eliminar a escala 6×1 e substituir o modelo por uma jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso.
A mudança busca ampliar o tempo de descanso e lazer dos trabalhadores e já conta com 234 assinaturas de parlamentares, número suficiente para tramitar na Casa. A deputada planeja ainda mobilizações em diversas cidades para ampliar o debate público.