Tentativa de Golpe

Julgamento de réus do Golpe: PGR acusa Núcleo 4 de planejar golpe e guerra informacional

Defesas argumentam falta de provas concretas, enquanto PGR apresenta evidências de uma 'Abin paralela' em ação

Defesas argumentam falta de provas concretas, enquanto PGR apresenta evidências de uma 'Abin paralela' em ação - Imagem: Reprodução / Waldemir Barreto / Agência Senado

Gabriela Thier Publicado em 14/10/2025, às 16h17

No dia (14), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou a condenação dos sete réus pertencentes ao Núcleo 4 de uma conspiração que visava garantir a permanência do ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, mesmo após sua derrota nas eleições.

Durante quase uma hora de explanação, Gonet abordou os detalhes da denúncia, enfatizando que os acusados deste núcleo teriam desencadeado uma "guerra informacional" com o intuito de preparar o cenário para um golpe de Estado.

"Os membros desse núcleo, atualmente sob julgamento, dedicaram-se à fabricação e disseminação de narrativas distorcidas, buscando incutir na população a crença de que as instituições democráticas estavam se voltando contra o povo", destacou Gonet.

Segundo as alegações do PGR, essa "guerra" teria sido conduzida a partir do interior do governo. Gonet também revelou ter apresentado evidências sobre a existência de uma suposta "Abin paralela", que teria utilizado a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar opositores políticos.

O procurador indicou que essa estratégia também visava fornecer informações que seriam utilizadas por propagadores de notícias falsas, inicialmente direcionadas a deslegitimar o sistema eleitoral e, posteriormente, engajando-se em campanhas difamatórias contra autoridades.

Entre as vítimas dessas campanhas, conforme Gonet, estavam os ex-comandantes do Exército e da Aeronáutica, que se opuseram aos planos golpistas.

Além disso, foi mencionado que alguns réus teriam elaborado um relatório falso com informações tecnicamente incorretas sobre as urnas eletrônicas. "Esse documento foi utilizado para contestar os resultados da eleição presidencial de 2022, na qual Bolsonaro foi derrotado, exacerbando os ânimos da militância bolsonarista", declarou Gonet.

A lista dos réus do Núcleo 4 inclui:

Os réus enfrentam acusações relacionadas a crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e deterioração de patrimônio tombado.

No geral, as defesas argumentaram em suas alegações finais que o Ministério Público não conseguiu individualizar as ações de cada réu nem apresentar provas contundentes dos delitos, limitando-se a indícios e suposições em uma narrativa vaga.

A sessão de julgamento teve início na manhã dessa terça-feira. Após a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes e a apresentação dos argumentos de Gonet, os advogados iniciaram a defesa dos seus clientes.

A audiência começou pouco após às 9h e terá uma pausa para almoço, retornando à tarde. Neste primeiro dia, apenas as manifestações das partes estão previstas.

Três novas sessões foram agendadas para concluir o julgamento nos dias 15, 21 e 22 deste mês. Nesses encontros, os ministros da Primeira Turma decidirão sobre a absolvição ou condenação dos réus. O colegiado é composto por Alexandre de Moraes como relator e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Cármen Lúcia.

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