Estratégia

Expor o bolsonarismo é estratégia de Lula na "guerra" com Trump; taxação é o motivo

Por trás das "bravatas" de Lula contra Trump, o objetivo é minar o discurso bolsonarista de apoio ao presidente dos Estados Unidos

Por trás das "bravatas" de Lula contra Trump, o objetivo é minar o discurso bolsonarista de apoio ao presidente dos Estados Unidos - Imagem: Reprodução / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Jair Viana Publicado em 13/03/2025, às 19h20

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enxerga na retomada das barreiras comerciais impostas por Donald Trump aos produtos brasileiros uma oportunidade para desgastar politicamente o bolsonarismo. A estratégia, discutida em círculos internos, associa as tarifas aplicadas pelos EUA — que afetam setores como aço e agricultura — ao alinhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o republicano, agora apontado como uma relação que prejudicou interesses nacionais.

Apesar de avaliar medidas de retaliação, o Planalto optou, por ora, por priorizar a negociação. Após dois encontros técnicos na semana passada, Brasil e Estados Unidos marcaram nova rodada de discussões para esta sexta-feira (14), quando tentarão estabelecer um acordo que evite escaladas. Só após essa etapa Lula definirá se adotará contrapartidas comerciais ou se seguirá com críticas públicas ao protecionismo norte-americano, conforme fontes próximas às tratativas.

A aposta do governo é transformar o conflito em um trunfo eleitoral. Internamente, assessores de Lula argumentam que as tarifas de Trump — que Bolsonaro evitou confrontar durante seu mandato — evidenciam os riscos de uma política externa submissa. O objetivo é vincular a imagem do ex-presidente a prejuízos econômicos e a uma suposta fragilidade diplomática, em um momento em que o bolsonarismo tenta se reorganizar para as eleições de 2026.

Analistas ponderam, porém, que a estratégia carrega riscos. Setores do agronegócio, historicamente próximos a Bolsonaro, pressionam por uma resposta firme às barreiras, o que exige equilíbrio para que Lula não seja visto como hesitante. Além disso, críticos apontam que a reaproximação comercial com os EUA, iniciada no governo anterior, trouxe benefícios pontuais, como a isenção de tarifas para o aço brasileiro em 2022 — vantagem agora ameaçada por Trump.

Enquanto isso, aliados de Bolsonaro reagem acusando o governo petista de "instrumentalizar" a crise para atacar a oposição. "É típico do PT transformar questões de Estado em armas partidárias", declarou um deputado do PL, que pediu anonimato. Já integrantes do Planalto rebatem: "Quem abraçou Trump sem contrapartidas foi Bolsonaro. Agora, o Brasil paga o preço, e eles não querem assumir a responsabilidade".

O desfecho das negociações desta semana será crucial. Se um acordo for fechado, Lula poderá capitalizar a imagem de conciliador. Se fracassar, a pressão por retaliar aumentará, em um cenário que mistura economia e política em ano de tensão pré-eleitoral. Enquanto isso, o bolsonarismo observa, pronto para transformar qualquer recuo do governo em munição contra o PT.

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