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Brasil convoca representante dos EUA para esclarecimentos sobre ameaças ao judiciário

As autoridades brasileiras consideram inaceitáveis as ameaças do governo Trump a figuras do Judiciário nacional

As autoridades brasileiras consideram inaceitáveis as ameaças do governo Trump a figuras do Judiciário nacional - Imagem: Reprodução / Freepik

Gabriela Thier Publicado em 08/08/2025, às 14h53

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre as recentes ameaças dirigidas pelo governo Trump a figuras aliadas ao ministro Alexandre de Moraes no Judiciário brasileiro.

O embaixador Flavio Celio Goldman, que ocupa o cargo de secretário interino para a Europa e América do Norte no Itamaraty, recebeu Escobar em uma reunião onde expressou a insatisfação do governo brasileiro em relação ao tom e conteúdo das publicações recentes feitas pelo Departamento de Estado e pela embaixada americana nas redes sociais.

As autoridades brasileiras interpretam essas manifestações como uma clara tentativa de ingerência nos assuntos internos do país e consideram as ameaças inaceitáveis à integridade das autoridades brasileiras.

O Departamento de Estado dos EUA tem utilizado suas plataformas sociais para criticar decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes, especialmente aquelas que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados políticos.

No dia 7 de setembro, a Embaixada dos EUA traduziu um comentário do secretário de diplomacia pública Darren Beattie, que fez referências diretas a possíveis consequências para aqueles que apoiam Moraes. "Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras áreas estão sendo alertados para não facilitar ou apoiar suas ações. Estamos monitorando a situação atentamente", afirmou o diplomata, acusando Moraes de censura e perseguição contra Bolsonaro.

Além disso, no último dia 30 de julho, os Estados Unidos impuseram sanções econômicas a Alexandre de Moraes, conforme estabelecido pela Lei Magnitsky. Essa medida foi uma reação ao julgamento relacionado à suposta trama golpista que investiga tentativas de golpe de Estado no Brasil após as eleições de 2022, que envolviam planos para prender e até assassinar autoridades públicas.

De acordo com denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR), Jair Bolsonaro teria pressionado líderes militares para anular os resultados da eleição presidencial de outubro de 2022, na qual foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro nega todas as acusações feitas contra ele.

Além disso, o ex-presidente continua sendo investigado por sua suposta colaboração com seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em ações destinadas a solicitar sanções contra o Brasil junto aos EUA. Dentre as justificativas apresentadas pelo governo Trump para tais tarifas estão as questões relacionadas ao processo judicial enfrentado por Bolsonaro.

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