Apesar do avanço, a meta da UE ainda é considerada menos ambiciosa do que as recomendações científicas
Gabriela Thier Publicado em 10/12/2025, às 15h05
Em uma decisão significativa, a União Europeia (UE) anunciou nesta quarta-feira (10) um novo objetivo climático que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 90% em comparação aos níveis de 1990 até o ano de 2040. Este acordo inclui também a compra de créditos de carbono estrangeiros, que irão cobrir 5% das reduções necessárias, embora as metas estabelecidas estejam abaixo do plano inicial proposto.
Os representantes dos Estados membros da UE e do Parlamento Europeu chegaram a esse consenso durante a madrugada, conforme confirmado por declarações oficiais de ambas as partes.
A implementação dessa meta implicará uma diminuição de 85% nas emissões provenientes das indústrias europeias. Para compensar o restante, a União Europeia se comprometerá a investir em países em desenvolvimento por meio da aquisição de créditos de carbono, permitindo que esses países realizem cortes em suas emissões em nome da Europa.
Embora a meta anunciada represente um avanço significativo em comparação às promessas de outras grandes economias, como a China, ainda está aquém das recomendações feitas pelos consultores científicos da UE e se revela menos ambiciosa do que o plano original elaborado por Bruxelas. Essa situação reflete as divergências existentes entre os governos europeus quanto à velocidade e ao custo da transição verde.
O ministro dinamarquês do Clima, Lars Aagaard, que participou ativamente das negociações, afirmou: "A meta equilibra a urgência da ação climática com a necessidade de preservar nossa competitividade e segurança".
Além disso, a União Europeia também se comprometeu a considerar no futuro o uso adicional de créditos de carbono internacionais para alcançar mais 5% das reduções exigidas até 2040, o que poderá facilitar ainda mais os esforços internos necessários.
Esta nova meta climática foi elaborada para garantir que a Europa siga na trajetória rumo ao compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2050 e representa um compromisso político após meses intensos de negociações.
No entanto, alguns países, como Polônia, Eslováquia e Hungria, expressaram resistência a cortes mais severos nas emissões de CO2, argumentando que tais exigências seriam excessivamente rigorosas para suas indústrias, especialmente considerando os altos custos energéticos e a concorrência com importações chinesas mais baratas.
Por outro lado, nações como Holanda, Espanha e Suécia ressaltaram o agravamento dos fenômenos climáticos extremos e enfatizaram a necessidade de acompanhar a China na produção de tecnologias verdes como justificativas para estabelecer uma meta ambiciosa.
Para que essa meta se torne lei, tanto o Parlamento Europeu quanto os Estados membros deverão aprová-la em votação – um processo que geralmente é considerado uma formalidade para ratificação dos acordos previamente negociados.