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Terra

Estudo global mostra que planeta vive fase mais perigosa da história ambiental

Novo relatório inclui a saúde dos oceanos na lista de áreas em risco

Imagem compara áreas afetadas pela seca em 2022: território francês, Rio Reno (Alemanha), Lago Mead e Lago Powell (EUA) - Imagem: Reprodução/G1/Copernicus/ESA/Nasa
Imagem compara áreas afetadas pela seca em 2022: território francês, Rio Reno (Alemanha), Lago Mead e Lago Powell (EUA) - Imagem: Reprodução/G1/Copernicus/ESA/Nasa

Gabriela Nogueira Publicado em 24/09/2025, às 19h16


Um novo estudo realizado por cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático (PIK) aponta que a Terra já ultrapassou sete de seus nove limites planetários, indicadores cruciais que ajudam a avaliar se as condições ambientais permanecem seguras para sustentar a vida. Esta descoberta é alarmante, uma vez que sugere um aumento na frequência de eventos climáticos extremos e colapsos ecológicos.

Entre os limites superados, destaca-se a acidificação dos oceanos, que, após estar em uma zona crítica no ano anterior, agora foi oficialmente classificada como um processo fora dos níveis seguros. A pesquisa revela que, sem um controle efetivo do aumento da temperatura global, o planeta enfrentará desastres naturais cada vez mais severos.

Os pesquisadores identificaram os seguintes processos como críticos:

  • Mudanças no uso da terra: O desmatamento e a conversão de ecossistemas naturais em áreas agrícolas ou urbanas resultaram em um estado alarmante, comprometendo habitats essenciais e afetando a regulação climática.
  • Mudanças climáticas: A concentração de gases do efeito estufa na atmosfera atingiu níveis perigosos, com implicações diretas para as temperaturas globais e padrões climáticos.
  • Biodiversidade: A extinção acelerada de espécies devido à degradação ambiental e exploração excessiva tem causado uma diminuição crítica na diversidade biológica do planeta.
  • Ciclo do nitrogênio e fósforo: O uso excessivo de fertilizantes compromete a qualidade da água e afeta ecossistemas aquáticos.
  • Uso de água doce: A crescente demanda por água potável está se aproximando de limites críticos em várias regiões do mundo.
  • Poluição química: A acumulação de substâncias tóxicas, incluindo microplásticos, representa uma ameaça significativa à saúde humana e ao meio ambiente.
  • Acidificação dos oceanos: O aumento do CO₂ na atmosfera resulta em águas mais ácidas, prejudicando a vida marinha e os recifes de corais.

A pesquisa destaca que dois limites ainda não foram ultrapassados: os aerossóis na atmosfera e a camada de ozônio. Este último foi protegido por ações internacionais bem-sucedidas. No entanto, os cientistas alertam que, embora alguns limites estejam sendo mantidos temporariamente, as condições gerais são preocupantes.

A acidificação dos oceanos é particularmente alarmante. Os dados mais recentes indicam que o pH das águas marinhas está em queda, com consequências diretas para organismos como corais e moluscos. Levke Caesar, co-líder do laboratório de limites planetários do PIK, ressalta a gravidade da situação: "O oceano está se tornando mais ácido, os níveis de oxigênio estão caindo e as ondas de calor marinhas estão aumentando. Isso pressiona um sistema vital para estabilizar o planeta".

A análise dos limites planetários foi proposta por Johan Rockström em 2009 e visa aumentar a conscientização sobre a emergência climática. Em virtude da urgência dos dados apresentados, especialistas enfatizam a necessidade de ações imediatas para mitigar os impactos da crise climática e proteger a biodiversidade global.

A situação atual exige atenção redobrada das autoridades e sociedade civil para reverter esses processos críticos antes que se tornem irreversíveis.


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