Mara Machado Publicado em 21/01/2025, às 09h25
O que eram para ser momentos de alegria para muitas famílias, acabaram se tornando verdadeiros transtornos no litoral paulista neste fim de ano. O surto de gastroenterite lotou hospitais e postos de saúde, gerando até falta de medicamento nas farmácias. A origem do problema, contudo, releva algo muito mais estrutural do que possa parecer no primeiro olhar.
Enquanto as cidades avançam com novas tecnologias, ampla conectividade e soluções inteligentes, mesmo as grandes metrópoles como São Paulo enfrentam deficiências em serviços essenciais, como saneamento básico.
Importante destacar que, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 70% da população mundial viverá em cidade até 2050. No Brasil, essa realidade já chegou. Segundo o Censo Demográfico 2022, a maior parte da população (87,4%) reside em áreas urbanas, enquanto 25,6 milhões (12,6%) vivem em áreas rurais.
A ausência do serviço de saneamento urbano é um dos principais desafios socioambientais do país. O saneamento urbano engloba o abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem pluvial e manejo de resíduos. O objetivo é que medidas sejam implementadas para preservar as condições do meio ambiente, saúde pública e a qualidade de vida da população em geral.
A carência de saneamento urbano atinge mais de 130 milhões de brasileiros, de acordo com o Instituto Trata Brasil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, anualmente, cerca de 350 mil pessoas sejam internadas e 15 mil chegam a óbito no país devido às doenças ligadas à precariedade e escassez de saneamento. Isso quer dizer que quanto maior o acesso ao saneamento, menor é a taxa de mortalidade infantil, internações por doenças e óbitos – e, por consequência, maior a longevidade da população.
Os investimentos em políticas públicas sociais não são adequadamente estruturados pelo poder público, impedindo que o direito ao saneamento e infraestrutura sejam investidos proporcionalmente.
O saneamento urbano é um assunto de interesse nacional e mundial devido aos impactos na vida dos cidadãos. Mas infelizmente, o déficit ainda é muito grande no Brasil e afeta principalmente a população de baixa renda. São infraestruturas e atividades básicas que impulsionam o desenvolvimento socioeconômico de uma região.