Mara Machado Publicado em 26/04/2025, às 08h14
Como uma condição de saúde simples de controlar e com baixo custo está relacionada à principal causa de morte no país e gera despesas tão elevadas com internações e reabilitação? O panorama da hipertensão arterial no Brasil revela algumas das mais graves distorções da saúde pública, a falta de investimento em cuidados preventivos e atenção primária.
Estima-se que mais de 25% dos adultos brasileiros sejam hipertensos. Isso significa 1 em cada 4 adultos com hipertensão. O controle da condição é feito com medicamentos de baixo custo, disponíveis gratuitamente no programa Farmácia Popular, que realmente traz grandes benefícios à população. Mas não é suficiente para resolver todo o problema.
A hipertensão está associada a infartos e AVCs em todo o país. Juntas, essas duas ocorrências despontam como principal causa de morte, com mais de 200 mil óbitos anualmente. Não bastasse, os hipertensos que sobrevivem passam por internações complexas, reabilitações longas e ficam afastados do mercado de trabalho. Além do impacto na saúde e trauma emocional, isso representa gastos elevados ao SUS, pressionando ainda mais os custos da saúde.
No Brasil, o custo total da saúde gira em torno de 10% do PIB. O SUS, embora atenda 75% da população, tem menos recursos que a saúde suplementar, aprofundando ainda mais as diferenças sociais no país.
Para mudar esse cenário, o foco não pode estar apenas no combate à doença e acesso aos tratamentos necessários, mas também na promoção da saúde sustentável. É preciso concentração na prevenção primária (saúde e estilo de vida), na prevenção secundária (rastreio para identificar a doença em estágio inicial) e na prevenção terciária (redução dos efeitos da doença já estabelecida).
Os fluxos de acesso e a detecção de doenças nas suas fases iniciais carecem de simplificação. Para promover a saúde saudável, produtiva e inclusiva, é preciso ação ao longo de toda a vida de uma pessoa. Isso tem um custo relevante, mas certamente investir para uma infraestrutura adequada na atenção primária é mais efetivo e menos oneroso do que lidar com todos os impactos que a hipertensão tem provocado.
Neste mês, celebramos o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hipertensão Arterial, data criada para ampliar a conscientização sobre o problema. Mas para uma solução verdadeiramente transformadora, o olhar deve ir adiante, com vontade política, gestão eficiente, campanhas de conscientização e promoção da saúde, para reduzir a incidência crescente da hipertensão e ampliar o controle da condição quando instalada.