Projeção supera expectativa anterior e consolida tarifa pressionada por subsídios e encargos
Gabriela Nogueira Publicado em 05/12/2025, às 19h11
O orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético, a CDE, deve ficar ainda maior em 2026 e ultrapassar o volume previsto para este ano. Embora o valor final ainda esteja em elaboração, a Agência Nacional de Energia Elétrica informou que a proposta será colocada em consulta pública, permitindo que consumidores e agentes do setor analisem e enviem sugestões antes da aprovação definitiva.
Enquanto o próximo orçamento é preparado, a Aneel já antecipa impactos para os consumidores. De acordo com o boletim InfoTarifa, divulgado na última sexta-feira, as contas de luz devem encerrar 2025 com um aumento médio de 7%. O índice supera com folga a inflação estimada para o período e representa uma revisão significativa em relação à projeção anterior, que indicava reajuste médio de 3,4%.
O principal motivo para essa atualização é o peso crescente da CDE. O fundo setorial, que financia políticas públicas essenciais para o setor elétrico, teve seu orçamento aprovado em R$ 49,2 bilhões para 2025. Para o ano seguinte, as despesas podem alcançar R$ 52,7 bilhões, impulsionadas sobretudo pelos subsídios para micro e minigeração distribuída e pelos incentivos destinados a fontes renováveis.
O fundo é responsável por custear iniciativas estratégicas, como a tarifa social para famílias de baixa renda, o programa Luz Para Todos, a geração de energia em áreas remotas e os incentivos para a produção de energia por pequenos consumidores, especialmente por meio de painéis solares. Além disso, cobre compensações financeiras e outros encargos que compõem a estrutura tarifária.
A maior parte dos recursos da CDE vem diretamente das contas de energia pagas pelos próprios consumidores, complementados por multas aplicadas pelo setor elétrico e aportes do Tesouro Nacional.
A Aneel explica que a diferença entre as estimativas iniciais e as mais recentes está ligada ao comportamento dos encargos setoriais e ao aumento dos custos de compra de energia. Esses elementos pesam sobre o cálculo tarifário e obrigam a revisão periódica das projeções ao longo do ano.
Com o avanço dos gastos da CDE e a pressão crescente dos subsídios, o tema deve seguir no centro do debate regulatório em 2025, sobretudo diante do impacto direto na conta de luz das famílias e empresas brasileiras.